A InScope, plataforma de relatórios financeiros baseada em inteligência artificial, levantou US$ 14,5 milhões em rodada Série A liderada pela Norwest. A startup foi fundada em 2023 por Mary Antony e Kelsey Gootnick, ex-contadoras que se conheceram na Flexport há sete anos e decidiram resolver um problema que enfrentaram em todas as empresas por onde passaram: o processo manual e tedioso de preparar demonstrações financeiras.
O problema que a InScope quer resolver
Segundo reportagem do TechCrunch, mesmo plataformas consolidadas como Workiva e Donnelley Financial Solutions ainda deixam lacunas significativas de automação. O processo tradicional envolve planilhas remendadas, documentos enviados por e-mail e revisões intermináveis entre equipes. A InScope ataca justamente esses gargalos com IA, automatizando desde verificação matemática até formatação de relatórios.
Embora ainda não gere balanços patrimoniais e demonstrações de resultados de forma totalmente autônoma, a plataforma já economiza até 20% do tempo dos contadores apenas ao padronizar símbolos de moeda e vírgulas corretamente, segundo Antony, CEO da empresa. Pode parecer pouco, mas em um setor onde precisão é crítica e prazos são apertados, essa eficiência faz diferença.
Crescimento acelerado e aposta de grandes escritórios
Nos últimos 12 meses, a base de clientes da InScope cresceu cinco vezes. A startup já conquistou escritórios de contabilidade relevantes como a CohnReznick, que figura entre as 15 maiores dos Estados Unidos. A rodada teve participação da Storm Ventures e dos investidores anteriores Better Tomorrow Ventures e Lightspeed Venture Partners.
Sean Jacobsohn, sócio da Norwest, afirmou que decidiu investir após ouvir de múltiplos clientes que o produto realmente entrega economia de tempo. Para ele, o diferencial da InScope está na expertise técnica rara das fundadoras: poucas pessoas conseguem entender profundamente tanto contabilidade quanto tecnologia.
Contadores virando empreendedores
Antony reconhece que contadores não costumam fundar startups. Mas ela e Gootnick desenvolveram mentalidade empreendedora ao trabalhar em ambientes de alto crescimento como Flexport, Miro, Hopin e Thrive Global. Gootnick foi controller da Flexport, enquanto Antony atuou como assistente de controller na mesma empresa antes de seguir para a Miro.
O terceiro cofundador é Jared Tibshraeny, CTO responsável pela arquitetura técnica da plataforma. Juntos, eles apostam que, mesmo em uma profissão avessa a riscos, a adoção de IA em relatórios financeiros é inevitável. O objetivo final permanece ambicioso: automação completa da preparação de demonstrações financeiras, liberando contadores para análises mais estratégicas.