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M&ARodadas e M&A · Itaú Asset

Itaú Asset compra 11 galpões da Log por R$ 1,02 bilhão

Itaú Asset paga R$ 1,02 bilhão por 11 galpões da Log, que retém a gestão dos ativos e usa o caixa para o plano de 2 mi de m² até 2028.

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· 4 min

Atualizado em

A Itaú Asset fechou nesta segunda-feira (4) a compra de 11 galpões operacionais da Log por R$ 1,02 bilhão, em uma transação de 332,8 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) com margem bruta de 33%, a maior venda da história da companhia de galpões logísticos controlada pela família Menin.

Transação Itaú Asset + Log: os números

Dado Valor
Valor total R$ 1,02 bilhão
Ativos vendidos 11 galpões operacionais
ABL 332,8 mil m²
Margem bruta 33%
1ª parcela (na conclusão) 80% do valor
Taxa de gestão retida 0,50% a.a. sobre PL do fundo
ABL total Log sob gestão 2,9 milhões de m²

Detalhes da transação Log e Itaú Asset. Fonte: NeoFeed

Como funciona a estrutura do negócio

O pagamento ocorre em duas parcelas: 80% na conclusão da operação e o restante em data posterior. A Log mantém a gestão comercial e imobiliária dos 11 ativos incluídos no negócio, com remuneração de 0,50% ao ano sobre o patrimônio do fundo gerido pela Itaú Asset, gestora do Itaú Unibanco. A estrutura soma-se a dois outros fundos já administrados pela plataforma de gestão de terceiros da Log, com Inter e BTG Pactual.

“Essa é uma transação transformacional para a empresa”, disse Rafael Saliba, CFO da Log, ao NeoFeed. “Ela destrava todo o valor potencial do capex que temos para o ano, que é elevado. E isso num cenário macro desafiador, com uma taxa de juros ainda alta, além da incerteza e da volatilidade das eleições.”

Com o caixa da venda, a Log avança no plano Log 2 Milhões, que prevê 2 milhões de m² de ABL até 2028. Para 2026, a projeção é de capex de cerca de R$ 1 bilhão em 19 obras, com ABL adicional acima de 500 mil m², concentrada no Nordeste e no Centro-Oeste. No primeiro trimestre, a companhia já entregou 65,5 mil m² em Campo Grande (MS) e Cariacica (ES), 100% pré-locados. O CFO projeta venda adicional de aproximadamente R$ 500 milhões ao longo do ano, mas descarta a obrigação de replicar uma operação do mesmo porte: “Tudo depende do economics.”

No balanço, a Itaú Asset tem expandido sua atuação em mercados privados, segmento que atingiu R$ 62 bilhões em março de 2026. A operação com a Log adiciona ativos logísticos a uma plataforma que já inclui infraestrutura, crédito privado e outros fundos alternativos. Na outra ponta, a dívida líquida da Log, que encerrou o primeiro trimestre em R$ 1,7 bilhão com alavancagem de 1,8 vez, deve cair ao menor nível dos últimos cinco anos após o fechamento da transação.

O trimestre traz ainda um conjunto de resultados acima do esperado: lucro líquido de R$ 134 milhões (+55,2%), recorde trimestral da companhia; Ebitda de R$ 185 milhões (+53,2%), com margem de 280,1%; receita total de R$ 66 milhões (+19,4%) e receita da plataforma de serviços de R$ 8,3 milhões (+93,7%). Entre o segundo trimestre de 2025 e o primeiro de 2026, 43% dos contratos passaram por renegociação, elevando o tíquete médio 13% em base anual, para R$ 23,84/m². As ações da companhia (LOGG3) fecharam o dia com alta de 0,98%, a R$ 26,89, com valorização acumulada de 11% em 2026. As projeções de mercado apontam Selic a 12,13% ao fim de 2026, nível que segue pressionando o custo de manutenção de ativos imobiliários no balanço de desenvolvedores.

O que observar

A entrada de gestoras vinculadas a grandes bancos como compradoras em real estate logístico sinaliza uma mudança no perfil dos investidores institucionais nesse segmento. O modelo combinado, venda do ativo mais retenção da gestão comercial e captura de upside em revisões contratuais, reduz a exposição ao balanço do desenvolvedor sem abrir mão da receita recorrente vinculada ao portfólio. O resultado prático é que o desenvolvedor se comporta cada vez mais como uma plataforma de serviços de gestão, e menos como um proprietário de ativos de longo prazo.

Com 43% dos contratos já renegociados no último ciclo e tíquete médio em trajetória de alta, o portfólio retido pelo vendedor mantém potencial de revalorização relevante que, pela estrutura do fundo, pode ser capturado por ambos os lados. O ponto a acompanhar é se essa arquitetura se replica em outros desenvolvedores imobiliários com portfólio logístico: a combinação de juro alto e demanda crescente por renda fixa amplia o prêmio por liquidez e torna a reciclagem de ativos mais atrativa mesmo quando as margens de venda não atingem picos anteriores.

Fontes: NeoFeedLet’s Money

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