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Itaú conclui venda do varejo colombiano ao Banco de Bogotá

Itaú concluiu a venda do varejo na Colômbia ao Banco de Bogotá por COP 1,64 tri, repassa 267 mil clientes e concentra capital em atacado e tesouraria.

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· 3 min

Atualizado em

Mehaniq / Shutterstock.com

O Itaú, maior banco do Brasil, concluiu no fim de julho de 2026 a venda de sua banca de varejo na Colômbia para o Banco de Bogotá, por cerca de COP 1,64 trilhão, valor calculado a preço contábil. A operação transfere 267 mil clientes e retira do balanço um segmento de baixa escala, liberando capital para atacado e tesouraria. O grupo mantém a operação corporativa no país.

A operação em números

Item Valor
Preço (a valor contábil) ~ COP 1,64 trilhão
Clientes transferidos 267 mil
Crédito repassado ~ COP 6,45 trilhões
Depósitos ~ COP 4,80 trilhões
Redução de ativos de risco ~ COP 3,8 trilhões
Efeito extraordinário (após impostos) ~ COP 561,7 bilhões

Termos da cessão concluída em julho de 2026. Fonte: Halcones y Palomas

Uma saída do varejo, não da Colômbia

A leitura de que o Itaú estaria abandonando o mercado colombiano foi rejeitada pela própria empresa. “Esta operação não representa uma saída da Colômbia, mas uma realocação de capital para os negócios nos quais temos escala, capacidades regionais e uma proposta de valor diferenciada […] Nosso objetivo é que, até o fim de 2028, o Itaú Colômbia busque retornos em linha com seu custo de capital”, disse André Gailey, CEO do Itaú Chile, em tradução livre do espanhol. O banco segue com banca corporativa, tesouraria e subsidiárias financeiras especializadas no país.

O desenho conclui um redirecionamento que o Itaú Chile já vinha executando na região, concentrando capital onde enxerga escala. Fechar a transação a valor contábil evita destruição de valor e, ao mesmo tempo, reduz a intensidade de capital do balanço colombiano.

Disciplina de capital vira estratégia regional

Além do preço, a operação reduz os ativos ponderados por risco em cerca de COP 3,8 trilhões e veio acompanhada de um aporte de COP 240 bilhões feito pelos acionistas em julho, para sustentar a operação de atacado. O fechamento gera um efeito extraordinário estimado em cerca de COP 561,7 bilhões após impostos, sendo COP 505 bilhões reconhecidos em julho e o restante ao longo de 2026.

A operação latino-americana faz parte da plataforma do Itaú Unibanco, cujo comando no Brasil tem defendido cautela na leitura do ciclo de crédito. Sair de um varejo sem escala em um mercado de juros e competição altos é coerente com essa postura de priorizar retorno sobre volume.

O que observar

O movimento repete um padrão que vale acompanhar entre bancos regionais: podar unidades de varejo que não atingem escala e concentrar capital em atacado, tesouraria e nichos especializados, onde a margem depende menos de rede física e mais de relacionamento institucional. A pergunta é se a troca de volume por rentabilidade entrega, de fato, retorno acima do custo de capital dentro do prazo prometido.

Para o consumidor colombiano, o ponto sensível é a migração de contas e crédito entre instituições sem atrito, um processo que costuma testar sistemas e atendimento. Vale observar também se outros bancos com operações sub-escala na América Latina seguem a mesma lógica de desinvestimento seletivo, num ambiente em que capital caro pressiona a favor de balanços mais enxutos.

Fontes: FF NewsLa RepúblicaHalcones y Palomas

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