JPMorgan tirou o Claude, da Anthropic, da lista de modelos aprovados para funcionários em Hong Kong. A decisão foi contratual: o licenciamento exclui a Greater China e o banco entendeu que ofertar o modelo na região feriria o acordo. Goldman Sachs fez o mesmo em abril. No Brasil, a Anthropic acaba de fechar parceria com a Zup, do Itaú.
Wall Street recua do Claude em Hong Kong
| Quando |
Banco |
Ação |
| Abril/2026 |
Goldman Sachs |
Removeu Claude para funcionários em Hong Kong |
| Junho/2026 |
JPMorgan Chase |
Removeu Claude para funcionários em Hong Kong |
Movimento dos dois bancos após interpretação dos termos de licenciamento. Fonte: Finextra.
Como a cláusula derrubou o Claude
O FT adiantou a decisão e atribuiu o movimento aos termos de uso do contrato de licenciamento entre o banco e a Anthropic. Em abril de 2026, o Goldman Sachs já havia feito a mesma leitura e retirado o Claude do menu de modelos aprovados para o time local. O acesso ao Claude para funcionários fora de Hong Kong não foi alterado por nenhum dos dois bancos, e a restrição vale apenas dentro do hub financeiro asiático.
O recuo chega na mesma semana de uma fricção maior entre a Anthropic e o governo dos EUA. Em carta endereçada ao CEO Dario Amodei na sexta-feira anterior, o secretário de Comércio Howard Lutnick determinou que a Anthropic não poderia fornecer os modelos Mythos 5 e Fable 5 a estrangeiros em qualquer lugar do mundo sem licença do Departamento de Comércio, sob pena de sanções civis e criminais. O Let’s Money detalhou o caso Lutnick na semana passada. Em comunicado público sobre política de exportação, a Anthropic afirmou: “Continuamos defendendo políticas como controles robustos de exportação para impedir que nações autoritárias desenvolvam capacidades de IA de fronteira que possam ameaçar a segurança nacional” (em tradução do inglês).
No Brasil, o caminho ainda é o oposto
Dois dias antes da decisão do JPMorgan, a Zup, controlada pelo Itaú, fechou parceria corporativa com a Anthropic para distribuir o Claude em projetos de TI no país. A restrição é geográfica antes de ser tecnológica: como a cláusula contratual mira a Greater China, instituições brasileiras sem operação na região não esbarram no mesmo bloqueio. Bancos brasileiros sem exposição à Greater China seguem com janela aberta para o Claude no mercado doméstico.
Para a Anthropic, o efeito direto da decisão é regional: o Claude segue disponível para o restante das instituições financeiras nos EUA e em outras geografias. O recuo se soma à pressão de Washington sobre os modelos Mythos 5 e Fable 5 e ao alerta público que Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, fez sobre os modelos de fronteira nas últimas semanas.
O que observar
A questão central é se a redação de cláusulas de exclusão geográfica nos contratos de fornecedores de LLM vira regra do setor, e em que velocidade isso desorganiza times globais de TI em instituições financeiras com operação na Ásia. Dois grandes bancos americanos chegaram à mesma leitura com dois meses de diferença, e vale observar se o restante das casas com operação em Hong Kong segue o caminho ou se a fornecedora ajusta o contrato para preservar o cliente.
Para o ecossistema brasileiro, o impacto imediato é jurídico antes de ser técnico. Vale acompanhar como áreas de compliance de instituições financeiras com operação na Ásia interpretam exclusões geográficas em contratos de IA, e quanto tempo levam para mapear fornecedores alternativos por região. Em paralelo, modelos rivais ganham brecha imediata para preencher o vácuo deixado nos hubs financeiros asiáticos.
Fontes: Finextra • American Banker • Reuters via Yahoo Finance • Governo dos EUA desliga Claude 5 • Zup/Itaú vira parceira da Anthropic