
O Santander Brasil (SANB11) encerrou 2025 com seu maior lucro trimestral em quatro anos: R$ 4,08 bilhões no 4T25, número levemente acima do consenso do mercado. No acumulado do ano, foram R$ 15,6 bilhões — avanço de 12,6% frente a 2024. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) também cresceu, atingindo 17,6%, superando inclusive a taxa básica de juros, hoje em 15%.
O resultado robusto chega em meio a ruídos sobre uma possível OPA e após sinalizações negativas da matriz espanhola, que reportou queda de 3,7% no lucro da operação brasileira. No Brasil, no entanto, o balanço mostrou resiliência operacional, mesmo com o crédito sob tensão.
Lucro do Santander Brasil cresce, mas crédito pressiona
Segundo o portal SeuDinheiro, a carteira de crédito do banco atingiu R$ 708,2 bilhões — alta de 3,7% em 12 meses. O crescimento veio com foco em linhas de menor risco, como financiamento ao consumo e capital de giro para PMEs. A estratégia segue firme: crescer com mais critério, mesmo que mais devagar.
Ainda assim, a inadimplência insiste em subir. O índice de NPL (créditos vencidos acima de 90 dias) bateu 3,7%, uma alta de 0,5 ponto percentual em um ano. A inadimplência de curto prazo e o custo do crédito também subiram. O banco aponta para uma migração acelerada da carteira para clientes de maior renda e produtos com garantias — movimento que ainda está ganhando tração.
As provisões somaram R$ 6,1 bilhões, com queda trimestral de 6,4%, mas ainda 2,9% acima do mesmo período em 2024. O NPL formation fechou o trimestre em R$ 6,46 bilhões, recuando frente ao 3T25, mas com alta relevante no ano.
Rentabilidade cresce, margem de mercado afunda
A margem financeira subiu discretamente no trimestre, mas caiu 4% na comparação anual, impactada por perdas na tesouraria. A margem com clientes avançou 6,6% no ano, sustentando a receita com crédito de menor risco.
Enquanto isso, o banco elevou investimentos em tecnologia, publicidade e remuneração variável, mas conseguiu cortar despesas anuais em 2% com reestruturação física e ajustes de pessoal.
O desafio agora é manter o lucro em alta sem descuidar da qualidade do crédito — especialmente se a inadimplência seguir escalando em um cenário de juros ainda altos.