A Macquarie Group aumentou sua participação na Tenora para 33%, após aprovação da reguladora prudencial australiana APRA, em movimento anunciado junto à autorização da subsidiária britânica da fintech como Instituição de Moeda Eletrônica pela FCA no Reino Unido. Com a licença, a plataforma TruHedge passa a operar o ciclo completo de câmbio corporativo, do hedge à liquidação internacional, em ambiente regulamentado único.
O que a licença EMI da FCA habilita na Tenora
| Capacidade |
Detalhe |
| Emissão de moeda eletrônica |
Integrada ao TruHedge |
| IBANs virtuais multmoeda |
Para clientes corporativos em múltiplas divisas |
| Serviços de pagamento regulados |
Com proteção de fundos obrigatória pela FCA |
| Pagamentos internacionais |
Da exposição ao hedge e à liquidação, tudo na plataforma |
Capacidades habilitadas pela licença EMI da FCA para a Tenora Financial Solutions Limited. Fonte: Finextra
Do IPO da Argentex ao TruHedge
Harry Adams, fundador e CEO da Tenora, tem histórico no segmento: fundou a Argentex em 2012 e a levou a um IPO na Bolsa de Valores de Londres em 2019, levantando £14 milhões numa oferta que valorizou a empresa em £120 milhões, segundo o City AM. Adams partiu da Argentex em 2023 e fundou a Tenora com foco em orquestração de ponta a ponta do ciclo de câmbio corporativo. A Macquarie entrou num round anterior, que valorizou a startup em £15 milhões, e agora amplia sua posição para 33% após a aprovação da APRA.
A divisão envolvida é a Macquarie Commodities and Global Markets, braço estratégico do grupo australiano em mercados de commodities e câmbio, não um fundo de venture capital genérico. “A licença EMI autorizada pela FCA da Tenora, combinada com sua tecnologia nativa de IA, é um diferencial no mercado e oferece uma plataforma robusta para expansão”, afirmou Arturo Alonso, diretor executivo sênior da divisão. Adams citou ao City AM a ambição de atingir “mais de £100 milhões em receita em dez anos”, prazo que espera superar ante a trajetória da Argentex.
A integração de hedge e liquidação em plataforma única
Para clientes corporativos, o FX risk management historicamente exigiu duas frentes separadas: plataformas de análise e hedge, de um lado, e bancos correspondentes para a liquidação, de outro. A busca por trilhos mais integrados de pagamentos internacionais já motivou modelos híbridos no mercado, e a licença EMI posiciona a Tenora nessa convergência.
A plataforma agora pode reter fundos, emitir IBANs e processar a liquidação sem dependência de um terceiro banco, o que reduz fricção e pontos de falha no ciclo. “A Tenora foi fundada com a missão de trazer maior transparência e precisão baseada em dados para um setor que historicamente careceu de ambas”, disse Adams no comunicado.
| Player |
Posição/Movimento |
| Tenora |
Plataforma TruHedge de FX risk corporativo; EMI autorizada pela FCA; Macquarie Group com 33% após round inicial em 2025 |
| Ebury |
Fintech de câmbio e pagamentos internacionais para PMEs, investida pelo Santander; retomou plano de IPO em Londres |
O que observar
A obtenção de uma licença EMI representa uma mudança estrutural para plataformas de software de câmbio corporativo: do modelo SaaS puro para infraestrutura regulada que retém fundos e processa liquidações. Esse salto eleva o custo de compliance e a intensidade de capital, mas altera o perfil de receita, aproximando a empresa de serviços financeiros e afastando da lógica de assinatura. Vale acompanhar como emissores e tesoureiros corporativos respondem a uma plataforma que centraliza hedge e liquidação: a proposta reduz o número de contrapartes, mas exige que o cliente deposite confiança regulatória num player ainda em fase inicial de escala.
O investidor estratégico, uma divisão de commodities e mercados globais de um banco de investimento, sinaliza que o interesse no ativo vai além do retorno financeiro. Para o segmento de FX tech B2B, é relevante acompanhar se outras plataformas similares buscam licenças EMI ou bancárias no Reino Unido como passo equivalente, especialmente num contexto em que a reguladora britânica vem sendo procurada por fintechs de pagamentos que querem verticalizar sua operação. As projeções de crescimento, porém, partem do próprio comunicado da empresa e não foram verificadas por fonte independente.
Fontes: Finextra • City AM • Disruption Banking