
O Mercado Pago anunciou que não buscará uma licença bancária no Brasil no momento, contrariando movimentos de concorrentes diretos no mercado nacional. A decisão foi comunicada por André Chaves, vice-presidente sênior da fintech no país, durante evento com jornalistas na última quinta-feira (5).
Segundo Chaves, a estratégia está diretamente ligada aos processos regulatórios já em andamento em outros mercados latino-americanos. “Nós, recentemente, aplicamos para a licença de banco do México e da Argentina. A ideia é primeiro terminar esse projeto e depois voltar a avaliar se no Brasil vai fazer sentido ou não. Não é o momento agora”, afirmou o executivo.
Contexto regulatório pressiona fintechs
A declaração ganha relevância após a publicação da Resolução Conjunta nº 17 pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional, em novembro de 2025. A norma proíbe instituições sem licença bancária de utilizarem os termos “banco” ou “bank” em nomes empresariais, marcas, domínios e comunicações ao público.
Conforme reportou a Exame, a medida atingiu especialmente fintechs como Nubank, que têm até um ano para apresentar planos de adequação. O Nubank, líder do setor no Brasil, já anunciou que buscará licença bancária em 2026 para manter sua marca.
O Mercado Pago opera no Brasil desde 2020 como instituição de pagamento e financeira, sem licença bancária plena. Chaves destacou que o processo envolve complexidade regulatória e tecnológica, exigindo análise cuidadosa de custo-benefício. “Esse não é um processo simples, tanto do lado regulatório quanto do lado tecnológico. A gente tem que sempre avaliar o custo-benefício desse tipo de ação, e isso compete com outras prioridades”, disse.
Expansão regional em curso
Na Argentina, o Mercado Livre solicitou licença bancária em maio de 2024 ao Banco Central local. No México, o pedido foi formalizado ainda em 2024, seguindo movimento similar do Nubank no país. A fintech já lidera o segmento de cartões em crescimento no Brasil e mantém ambição de se tornar o maior banco digital da América Latina, com foco em Brasil, México e Argentina.
No terceiro trimestre de 2025, a carteira de crédito do Mercado Pago cresceu 83% em um ano, atingindo US$ 11 bilhões. A base de usuários ativos chegou a 72 milhões na América Latina, com alta de 29% no período, tendo o Brasil como principal mercado.