Mercury alcança US$ 650 mi em receita e redefine público-alvo

A Mercury, fintech americana especializada em banking digital para empreendedores, encerrou 2025 com marcos que consolidam sua transição de player de nicho para plataforma horizontal. A empresa atingiu US$ 650 milhões em receita anualizada até setembro, processou US$ 248 bilhões em transações — alta de 59% sobre os US$ 156 bilhões de 2024 — e cresceu 50% em base de clientes, chegando a mais de 300 mil contas. Além disso, aplicou para licença de banco nacional nos Estados Unidos.

Diversificação estratégica

O dado mais revelador aparece na composição do crescimento: 73% dos novos clientes de 2025 vieram de fora do segmento de startups de tecnologia e IA, tradicionalmente o core da Mercury. Segundo a carta anual publicada pelo CEO Immad Akhund, empresas de ecommerce representaram 21% das novas aquisições, enquanto serviços profissionais também cresceram significativamente.

A mudança não foi acidental. Fundada em 2017, a Mercury consolidou posição dominante no Vale do Silício — hoje 1 em cada 3 startups americanas usa a plataforma, incluindo 2,4 vezes mais empresas de IA onboarded em 2025 versus 2024. Mas a companhia identificou demanda crescente em outros perfis empreendedores que buscavam os mesmos atributos: abertura de conta instantânea, cartões virtuais configuráveis, controles de gasto granulares e integração nativa com softwares de contabilidade.

Aprendizado de verticais

A expansão exigiu repensar premissas de produto. Peter Tzemis, fundador da Pup Labs (ecommerce de produtos para pets), explicou que “costumava pensar em banco como lugar onde dinheiro ficava entre decisões. Com a Mercury, se tornou parte de como realmente operamos o negócio”. A diferença está no timing: enquanto startups pensam em ciclos de funding, empresas de ecommerce gerenciam fluxo de caixa diário — inventário precisa ser pago meses antes da venda.

Esse insight direcionou produtos como capital de giro e cashback depositado 15 dias mais rápido em gastos com anúncios, crítico para empresas que investem pesado em marketing digital. A Mercury também democratizou crédito ao expandir acesso ao IO credit card desde o primeiro dia para clientes elegíveis, eliminando requisitos de histórico ou saldo mínimo que limitavam negócios bootstrapped.

Execução disciplinada

Para escalar, a fintech criou pods multifuncionais (vendas, produto, marketing, dados, parcerias) com orçamento e autonomia para testar canais. Ted Harrison, CEO da agência neuemotion, resume: “não escolhemos Mercury porque era incrementalmente melhor. Escolhemos porque parecia construída para era completamente diferente”. A empresa manteve NPS de 73,8 pontos — mais que o dobro da média bancária americana de 34 — enquanto alcançava três anos consecutivos de lucro GAAP.

Gabriel Pereira

Fundador da Let's Money

Fundador da Let's Money que da voz a quem constrói o mercado financeiro no Brasil e no mundo.

Fundador da Let's Money que da voz a quem constrói o mercado financeiro no Brasil e no mundo.