
Quarenta por cento das instituições financeiras brasileiras ainda não monitoram a dark web para prevenir fraudes, segundo a Pesquisa de Maturidade PLD/FTP realizada pela EY. O levantamento expõe uma lacuna preocupante na segurança cibernética do setor financeiro nacional, especialmente considerando que criminosos utilizam esses ambientes ocultos para comercializar credenciais roubadas, dados bancários e tutoriais para aplicação de golpes.
A análise envolveu 51 instituições de diferentes portes e segmentos. Os resultados mostram que apenas 60% das empresas adotam essa prática de vigilância, deixando uma fatia considerável do mercado exposta a riscos crescentes de ataques cibernéticos.
Disparidade entre portes e setores
De acordo com o portal TI Inside, os bancos comerciais lideram o monitoramento da dark web com 83% de adesão, seguidos pelas instituições de pagamento, que registram 75%. Já as seguradoras aparecem com apenas 33% de adoção dessa tecnologia de vigilância.
A situação se torna mais crítica em setores específicos: distribuidoras e corretoras de títulos e valores mobiliários, bancos de investimento e corretoras de câmbio simplesmente não realizam monitoramento, ficando completamente vulneráveis a ameaças digitais. O recorte por porte institucional revela outro abismo: enquanto 100% das empresas S1 (as maiores do mercado) implementam essa proteção, apenas 33% das instituições S5 adotam a prática.
Volume bilionário de fraudes digitais
Os números justificam a urgência do monitoramento. Em 2024, a Kaspersky registrou mais de 37 milhões de dados de pessoas físicas e jurídicas brasileiras comercializados na dark web. Somando 2023 e 2024, as fraudes em canais digitais e cartões de débito acumularam R$ 18,7 bilhões, segundo a Febraban.
Para Natalia Grigolin, sócia de Prevenção a Crimes Financeiros da EY Brasil, o monitoramento permanece concentrado em instituições de maior porte, enquanto empresas menores continuam desprotegidas. A executiva enfatiza que reforçar essa capacidade no ecossistema como um todo é fundamental para aumentar a resiliência coletiva contra fraudes.
A EY desenvolveu um framework antifraude baseado em sete áreas interligadas: governança, abordagem de riscos, pessoas, políticas e procedimentos, sistemas de prevenção e detecção, dados e inteligência, e educação do cliente. A consultoria recomenda revisões regulares dessas estruturas, considerando a natureza evolutiva das fraudes digitais.