A canadense Koho captou C$ 130 milhões em uma rodada Series E que levou seu valuation a C$ 1,33 bilhão e a colocou no clube dos unicórnios. O cheque traz um nome conhecido do mercado brasileiro, o fundo soberano Mubadala, de Abu Dhabi. E o dinheiro tem destino declarado: virar banco.
A rodada Series E da Koho
| Item |
Dado |
| Valor captado |
C$ 130 milhões (Series E) |
| Valuation pós-aporte |
C$ 1,33 bilhão |
| Valuation anterior |
C$ 800 milhões |
| Novos investidores |
Mubadala, Savano Capital, Tobi Lütke (Shopify) |
| Licença buscada |
Schedule 1 (federal) |
Rodada Series E da Koho, junho de 2026. Fonte: BetaKit
O capital que falta para captar depósitos
Fundada em 2014 como uma alternativa digital aos cinco grandes bancos do Canadá, a Koho cresceu até reunir mais de 2,5 milhões de usuários em um app que combina conta de gastos e poupança, ferramentas de construção de crédito, proteção de cheque especial e, mais recentemente, uma oferta de cripto. A empresa entrou há pouco como membro PSP da Payments Canada e agora diz ter a base de capital para dar o passo seguinte.
Esse passo é uma licença bancária federal, chamada Schedule 1 no Canadá, que autorizaria a Koho a captar depósitos diretamente, sem depender de parcerias com instituições reguladas, e a reduzir seu custo de capital. A aprovação ainda depende do aval ministerial e pode sair ainda neste ano. “Passamos anos conquistando a confiança de canadenses que merecem mais de suas instituições financeiras, e este grupo de investidores reflete a crença compartilhada de que estamos apenas começando”, disse Daniel Eberhard, CEO da Koho, em tradução livre. O executivo classificou a licença como o último grande passo dessa jornada.
Quem entrou na rodada
Além do Mubadala, gestor soberano de Abu Dhabi e um dos maiores do mundo, entraram a Savano Capital, de Baltimore, o fundador e CEO da Shopify, Tobi Lütke, e o COO da Affirm, Michael Linford. Permaneceram investidores existentes como Portage Ventures, Drive Capital, BDC Capital, o fundo de pensão HOOPP e a Eldridge. A presença do Mubadala chama atenção no Brasil: o mesmo fundo tentou comprar o Will Bank, a fintech do Banco Master, antes de sua liquidação.
O movimento da Koho ecoa um padrão entre os desafiantes digitais. A Affirm, cujo COO entrou na rodada, também planeja se tornar banco para competir de igual para igual com as redes de pagamento, enquanto a europeia Bunq pediu licença no México para ampliar sua atuação. O denominador comum é a busca por captar depósitos próprios.
O que observar
A corrida por licenças bancárias plenas separa os bancos digitais que querem escalar dos que se contentam em revender produtos de terceiros. Captar depósitos diretamente reduz o custo de funding e abre espaço para margem em crédito, mas troca a leveza regulatória de uma fintech parceira pela carga de capital, compliance e supervisão de um banco autorizado. Vale acompanhar se os desafiantes que cruzam essa fronteira conseguem manter o ritmo de aquisição de clientes quando passam a operar sob as mesmas exigências dos incumbentes que prometeram desafiar.
O outro fio a puxar é o apetite de fundos soberanos por bancos digitais em mercados concentrados. Quando um investidor de longo prazo entra em um desafiante que pleiteia licença, a pergunta é se a aposta é no produto atual ou na infraestrutura regulatória que ele está tentando montar. A resposta tende a aparecer no prazo entre a captação e a decisão do regulador, janela em que o plano de virar banco sai do discurso e encontra a prova prática.
Fontes: Finextra • BetaKit • Let’s Money • Let’s Money