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Mubadala entra na Koho, que mira virar banco no Canadá

Koho captou C$ 130 milhões, virou unicórnio a C$ 1,33 bilhão e busca licença de banco no Canadá. Mubadala e o CEO da Shopify entraram na rodada.

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· 3 min

Atualizado em

frantic00 / Shutterstock.com

A canadense Koho captou C$ 130 milhões em uma rodada Series E que levou seu valuation a C$ 1,33 bilhão e a colocou no clube dos unicórnios. O cheque traz um nome conhecido do mercado brasileiro, o fundo soberano Mubadala, de Abu Dhabi. E o dinheiro tem destino declarado: virar banco.

A rodada Series E da Koho

Item Dado
Valor captado C$ 130 milhões (Series E)
Valuation pós-aporte C$ 1,33 bilhão
Valuation anterior C$ 800 milhões
Novos investidores Mubadala, Savano Capital, Tobi Lütke (Shopify)
Licença buscada Schedule 1 (federal)

Rodada Series E da Koho, junho de 2026. Fonte: BetaKit

O capital que falta para captar depósitos

Fundada em 2014 como uma alternativa digital aos cinco grandes bancos do Canadá, a Koho cresceu até reunir mais de 2,5 milhões de usuários em um app que combina conta de gastos e poupança, ferramentas de construção de crédito, proteção de cheque especial e, mais recentemente, uma oferta de cripto. A empresa entrou há pouco como membro PSP da Payments Canada e agora diz ter a base de capital para dar o passo seguinte.

Esse passo é uma licença bancária federal, chamada Schedule 1 no Canadá, que autorizaria a Koho a captar depósitos diretamente, sem depender de parcerias com instituições reguladas, e a reduzir seu custo de capital. A aprovação ainda depende do aval ministerial e pode sair ainda neste ano. “Passamos anos conquistando a confiança de canadenses que merecem mais de suas instituições financeiras, e este grupo de investidores reflete a crença compartilhada de que estamos apenas começando”, disse Daniel Eberhard, CEO da Koho, em tradução livre. O executivo classificou a licença como o último grande passo dessa jornada.

Quem entrou na rodada

Além do Mubadala, gestor soberano de Abu Dhabi e um dos maiores do mundo, entraram a Savano Capital, de Baltimore, o fundador e CEO da Shopify, Tobi Lütke, e o COO da Affirm, Michael Linford. Permaneceram investidores existentes como Portage Ventures, Drive Capital, BDC Capital, o fundo de pensão HOOPP e a Eldridge. A presença do Mubadala chama atenção no Brasil: o mesmo fundo tentou comprar o Will Bank, a fintech do Banco Master, antes de sua liquidação.

O movimento da Koho ecoa um padrão entre os desafiantes digitais. A Affirm, cujo COO entrou na rodada, também planeja se tornar banco para competir de igual para igual com as redes de pagamento, enquanto a europeia Bunq pediu licença no México para ampliar sua atuação. O denominador comum é a busca por captar depósitos próprios.

O que observar

A corrida por licenças bancárias plenas separa os bancos digitais que querem escalar dos que se contentam em revender produtos de terceiros. Captar depósitos diretamente reduz o custo de funding e abre espaço para margem em crédito, mas troca a leveza regulatória de uma fintech parceira pela carga de capital, compliance e supervisão de um banco autorizado. Vale acompanhar se os desafiantes que cruzam essa fronteira conseguem manter o ritmo de aquisição de clientes quando passam a operar sob as mesmas exigências dos incumbentes que prometeram desafiar.

O outro fio a puxar é o apetite de fundos soberanos por bancos digitais em mercados concentrados. Quando um investidor de longo prazo entra em um desafiante que pleiteia licença, a pergunta é se a aposta é no produto atual ou na infraestrutura regulatória que ele está tentando montar. A resposta tende a aparecer no prazo entre a captação e a decisão do regulador, janela em que o plano de virar banco sai do discurso e encontra a prova prática.

Fontes: FinextraBetaKitLet’s MoneyLet’s Money

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