O Nubank está entre os quatro finalistas do processo competitivo pela venda da operação brasileira da Caixa Geral de Depósitos (CGD), banco controlado pelo governo de Portugal, e desponta como favorito, segundo fontes envolvidas na negociação. A compra, estimada em cerca de R$ 250 milhões, resolveria o impasse com o Banco Central sobre o uso do termo “bank” na marca da fintech.
Perfil da CGD Brasil no processo de venda
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Ativos totais | R$ 1,8 bi a R$ 1,96 bi (dados do BC) |
| Carteira de crédito | ~R$ 870 milhões |
| Patrimônio líquido | ~R$ 300 milhões |
| Valor estimado da compra | ~R$ 250 milhões |
| Desfecho do processo | Julho de 2026 |
| Conclusão da transação | Previsão 2027 (sujeita a aprovações) |
Dados extraídos do processo competitivo publicado no Diário da República. Fonte: Exame
O pano de fundo regulatório explica a urgência. Em novembro de 2025, o Banco Central publicou portaria que proíbe instituições sem licença bancária de utilizarem termos que sugiram atuação como banco em nomes, marcas e domínios, em qualquer idioma. A regra atingiu diretamente fintechs que operam com foco em pagamentos e crédito sem autorização bancária plena. Em dezembro, o Nubank informou ao mercado que buscaria uma licença bancária até o fim de 2026, e a compra de uma instituição já autorizada surge como o caminho mais rápido para cumprir esse compromisso.
O governo de Portugal confirmou a lista de finalistas no Diário da República: além do Nubank, concorrem Garantia Capital, MD Capital e Sputnik. O processo entrou na fase final, com a entrega de garantias financeiras pelos concorrentes. Na fase anterior, os participantes apresentaram cartas-fiança de R$ 10 milhões; na etapa decisiva, precisam garantir o valor integral de suas propostas. A conclusão do negócio depende de aprovações regulatórias no Brasil e em Portugal, com previsão de fechamento apenas em 2027.
Os outros finalistas
Entre os concorrentes estão nomes do mercado financeiro tradicional. A Garantia Capital tem à frente Luiz Cesar Fernandes, ex-sócio de instituições como Garantia e Pactual, que vê na operação uma oportunidade de retorno ao setor bancário. A MD Capital é liderada por Mário Teixeira e Dorival Bianchi, ex-executivos do Bradesco.
A Sputnik tem como representante Alberto Leite, dono da FS Security, que busca expandir atuação para o mercado financeiro. Para o governo português, a venda integra um processo de desinvestimento iniciado após a crise financeira de 2008, quando Portugal assumiu compromissos com a União Europeia para reduzir sua dívida pública.
O Nubank ocupa a décima posição em ativos entre as maiores instituições financeiras do Brasil, com R$ 368,5 bilhões em dezembro de 2025, e alcança 112 milhões de clientes segundo o Banco Central. A aquisição da CGD Brasil ampliaria seu escopo regulatório sem exigir a construção de uma estrutura bancária do zero.








