A fintech americana OppFi vai adquirir a BNCCORP e sua subsidiária BNC National Bank, sediada no Arizona, por US$ 130 milhões em dinheiro e ações. Com a conclusão do negócio, a fintech especializada em crédito subprime deixará de depender de parceiros bancários em Utah, tornará-se uma holding bancária e ganhará licença nacional para escalar seus produtos em todo o território americano.
OppFi + BNCCORP: estrutura do negócio
Dado
Detalhe
Valor do negócio
US$ 130 milhões (dinheiro + ações)
Múltiplo
~1,2x valor contábil (BNCC: US$ 107M)
Por ação BNCC
US$ 19,375 + 1,90 ações OppFi
Ativos combinados
~US$ 2 bilhões
Participação pós-fusão
OppFi 93% / BNCC 7%
Sinergias (ano 1 / ano 3)
US$ 60M / ~US$ 115M
Fechamento previsto
Q4 2026
Estrutura anunciada pelas empresas. Fonte: Banking Dive
Por que comprar um banco
Sediada em Chicago, a OppFi oferece empréstimos para consumidores e pequenas empresas com crédito subprime via plataforma digital. Mas, para operar, ela dependia de três bancos parceiros no Utah: FinWise Bank, First Electronic Bank e Capital Community Bank. Esses parceiros detêm as licenças bancárias e emprestam em nome da fintech, um modelo conhecido como “rent-a-bank” que já gerou disputas regulatórias em estados como Califórnia e no Distrito de Columbia.
Ao adquirir a BNCCORP, a OppFi encerrará essa dependência. Com a licença nacional do BNC National Bank, a fintech poderá operar em todos os estados sem precisar de intermediários, ter acesso a funding bancário com custo menor e ampliar a oferta para produtos que hoje não consegue entregar, como contas correntes e de poupança, empréstimos com garantia, crédito SBA para pequenas empresas e gestão de patrimônio.
“A combinação de nossas operações sob a supervisão regulatória unificada do Escritório do Controlador da Moeda e do Federal Reserve simplifica e fortalece nossa conformidade e gestão de riscos”, disse Todd Schwartz, CEO da OppFi. A empresa projeta um aumento de 25% nos lucros ajustados por ação em 2027 e de 40% em 2028.
Publicidade
A onda de aquisições de bancos por fintechs
A transação da OppFi é parte de um movimento mais amplo. No ano passado, a fintech SmartBiz comprou um banco com sede em Northbrook, Illinois, e em dezembro a Enova anunciou a compra do banco digital Grasshopper Bank. Analistas de mercado apontam que as empresas não bancárias “enxergam essa janela de oportunidade e querem aproveitá-la”, nas palavras de Brian Graham, cofundador da consultoria Klaros Group, citado pelo Banking Dive.
O padrão de fintechs de crédito de alto custo adquirindo bancos comunitários cria um dilema regulatório claro: a licença bancária nacional, que em tese sinaliza maior conformidade com regras prudenciais, pode ser usada para escalar produtos historicamente sujeitos a escrutínio por taxas excessivas em âmbito nacional, contornando limites estaduais de juros. O histórico regulatório da compradora, que inclui acordos por práticas de crédito e investigações federais, vai ser avaliado pelos reguladores no processo de aprovação.
O que vale acompanhar é se o OCC e o Federal Reserve vão impor condições ao negócio, como caps de taxa ou restrições de produto, ou aprovará sem ressalvas, sinalizando que o modelo de crédito subprime via holding bancária é bem-vindo no sistema regulado. A decisão vai calibrar até onde vai a janela atual, que já inspira outros operadores de crédito não bancário a considerar o mesmo caminho.