A PagBrasil projeta movimentar cerca de US$ 600 milhões no primeiro ano de operação do RoamingPay, plataforma que conecta o Pix aos sistemas instantâneos de Argentina, Paraguai e Colômbia. A aposta marca uma nova fase de internacionalização do meio de pagamento mais usado no Brasil.
Sistemas conectados pelo RoamingPay
| País |
Sistema instantâneo |
| Brasil |
Pix |
| Argentina |
Transferencias 3.0 |
| Paraguai |
SIPAP |
| Colômbia |
Bre-B |
Sistemas conectados pela rede RoamingPay. Fonte: InfoMoney
Como o Pix internacional já roda hoje
O turista escaneia um QR Code no caixa do lojista estrangeiro. O valor já chega convertido em reais, e o pagamento sai pelo aplicativo do banco brasileiro como qualquer Pix doméstico. O comerciante recebe na moeda local. Toda a operação de câmbio, autorização e liquidação acontece em segundo plano via APIs entre o sistema brasileiro e o sistema instantâneo do país onde a compra é feita.
A cobertura atual já alcança Paraguai, Argentina, Uruguai, França, Portugal e Espanha, com negociações em andamento para a entrada nos Estados Unidos, segundo executivos ouvidos pela InfoMoney. O avanço do Pix na América Latina tem ganhado tração desde 2025, com integrações sendo costuradas país a país.
Os fornecedores que constroem a rede
“Os sistemas de pagamento estão se tornando infraestrutura estratégica, como energia ou telecomunicações. O próximo passo é conectá-los globalmente”, afirmou Ralf Germer, co-CEO da PagBrasil, em entrevista à InfoMoney. A empresa já é uma das mais ativas na pauta: recebeu autorização do Banco Central para operar câmbio e foi quem levou o Pix a turistas argentinos via parceria com a Coelsa.
O banco mineiro BS2 trabalha em duas pontas. O Voucher Pay permite que brasileiros paguem no exterior em reais, com o lojista recebendo na moeda local, e admite parcelamento. O Easy Pay viabiliza o caminho inverso, com estrangeiros usando Pix em compras feitas no Brasil. “Um brasileiro pode comprar no exterior e pagar em reais, enquanto o comerciante recebe na moeda local, porque simplificamos uma operação de câmbio que antes era extremamente complexa”, afirmou Carlos Eduardo de Andrade Junior, diretor executivo de Câmbio do BS2. A Getnet, do Santander, também passou a aceitar Pix em maquininhas no Uruguai.
O que observar
O Pix começa a competir como infraestrutura, não só como produto bancário. A pergunta operacional é em quais corredores essa rede vai ganhar densidade primeiro. Países da América Latina com fluxo turístico recorrente para o Brasil têm o caso de uso mais imediato. Já a entrada em mercados maduros como Estados Unidos depende menos de tecnologia e mais de acordos com adquirentes locais e bancos de cobertura nacional, que historicamente têm pouco apetite para mudar fluxos consolidados em cartão.
O segundo ponto é o impacto sobre adquirentes e bandeiras. Quando o consumidor paga em moeda local sem cartão internacional, a tarifa cambial e a comissão da bandeira saem da conta. Vale acompanhar como adquirentes globais e fintechs de remessa reagem, e se reguladores fora do Brasil passam a tratar a interoperabilidade entre sistemas instantâneos como agenda própria, e não como iniciativa privada de provedores de pagamento.
Fontes: InfoMoney • PagBrasil • FinTech Magazine • Let’s Money: Pix na América Latina • Let’s Money: PagBrasil no câmbio • Let’s Money: PagBrasil e Coelsa