A Rain, uma das principais empresas de infraestrutura para cartões com lastro em stablecoin, lançou um programa de loyalty nativo dentro da própria pilha de emissão. Na prática, fintechs que rodam cartões na Rain agora podem oferecer pontos e cashback sem contratar um vendor externo. No beta privado da função, cardholders inscritos gastaram 25% a mais do que os fora do programa.
O que o parceiro controla no Rewards da Rain
| Camada |
Configuração |
| Marca |
Nome e identidade do programa definidos pelo parceiro |
| Earn rate |
Taxa flat, multiplicadores por categoria ou campanhas patrocinadas por lojistas |
| Resgate |
Saldo na fatura ou portal de viagens (hotéis e voos) com white-label |
| Integração |
Embutida no app do parceiro, sem vendor externo |
Configurações do produto Rewards descritas pela Rain. Fonte: Finextra
Como a Rain virou plataforma full-stack de cartão stablecoin
Fundada em 2021, a Rain opera uma pilha verticalizada de emissão de cartões em que cada transação é liquidada em stablecoin. A empresa é principal member da Visa, o que lhe dá autonomia para patrocinar programas em vários países sem depender de um banco emissor intermediário. Em janeiro de 2026, levantou uma Série C que avaliou a companhia em US$ 1,95 bilhão.
O passo seguinte foi diversificar bandeiras. Em maio, a Rain anunciou que vai estender a operação para a Mastercard, encerrando o regime de exclusividade com a Visa. O movimento, ainda em estágio de exploração de liquidação em stablecoin, visa atender clientes corporativos já comprometidos com a outra rede.
Loyalty entra na disputa por cartão stablecoin
O programa de pontos integrado entra num momento de aceleração do segmento. Em junho, o Let’s Money mostrou que o cartão cripto saiu do nicho de cripto-nativo e virou meio de pagamento corrente, com o volume de transações crescendo num ritmo que dobra o da própria oferta de stablecoins.
Até agora, programas com cashback em token (a exemplo dos cartões de exchanges) ou pontos terceirizados eram o padrão do segmento. Ao trazer o motor de recompensas para dentro da pilha de emissão, a Rain elimina o trabalho de integrar com um vendor de loyalty e absorve a configuração econômica que ficava com terceiros. O resgate fica embutido no app do parceiro, com opção de aplicar pontos na fatura ou usá-los em um portal white-label de hotéis e voos. “O que nosso time construiu permite que qualquer parceiro lance um programa de loyalty que pareça dele”, disse Farooq Malik, CEO da Rain, em tradução de declaração ao Finextra. Para Malik, a Rain “removeu o trabalho de integração e o overhead com vendor que historicamente mantiveram recompensas fora do alcance de muitos programas”.
O que observar
A peça que muda de lugar é a economia do loyalty. Em programas que dependiam de vendor terceirizado, parte do interchange e do funding do prêmio passava por um intermediário. Quando o issuer-processor incorpora a camada de recompensa, esse spread passa a ser modulado dentro do mesmo balanço que já captura interchange, FX e yield das reservas em stablecoin. Vale acompanhar se isso pressiona vendors independentes de loyalty a se reposicionar em programas não-stablecoin ou a buscar acordos de fundação com issuers full-stack.
A segunda pergunta é se o ganho de 25% no beta se mantém em escala. Se o efeito persistir em programas maiores e mais heterogêneos, recompensas deixam de ser uma camada opcional para virar um requisito de retenção em qualquer programa de cartão lastreado em stablecoin, com impacto direto na unit economics de fintechs que ainda terceirizam essa função.
Fontes: Finextra • Fortune • Let’s Money • Let’s Money