A Ripple anunciou investimentos estratégicos na britânica Licuido e na Zilo para escalar a emissão e a negociação de fundos tokenizados no XRP Ledger. Os aportes, cujo valor não foi divulgado, adicionam à rede três peças de mercado de capitais: emissão de tokens, transfer agency e mobilidade de colateral.
O que a Ripple adiciona ao XRP Ledger
| Empresa |
Função na infraestrutura |
| Licuido (Reino Unido) |
Emissão, distribuição e negociação de fundos tokenizados como colateral, em plataforma regulada |
| Zilo |
Soluções de transfer agency (agente de registro) para gestoras de ativos e de patrimônio |
Investimentos estratégicos da Ripple, sem valor divulgado. Fonte: Finextra
O que Licuido e Zilo trazem para o XRP Ledger
A Licuido opera uma plataforma que ajuda instituições a emitir, distribuir e negociar fundos tokenizados, com as cotas desenhadas para uso como garantia. A empresa é regulada pela Autoridade de Conduta Financeira (FCA) do Reino Unido. “O respaldo da Ripple nos ajuda a escalar essa infraestrutura e nosso marketplace de colateral, no XRPL, ajudando instituições a transformar ativos que ficavam parados em seus balanços em liquidez que elas podem de fato usar”, disse Brian Lynch, CEO e cofundador da Licuido (em tradução livre).
A Zilo entra com a camada de transfer agency, o registro que controla titularidade e movimentação de cotas de fundos. Somadas, as duas apostas cobrem emissão, distribuição, registro e colateral, o conjunto que sustenta um mercado de capitais digital. Nigel Khakoo, vice-presidente sênior de trading e mercados da Ripple, descreveu o movimento como “apenas o começo da jornada” e apontou uma oportunidade de trazer eficiência ao setor de investimentos na próxima década (em tradução livre). A empresa vem estendendo esse tipo de infraestrutura no XRP Ledger, onde já mira empréstimos onchain.
A corrida por infraestrutura de fundos tokenizados
Os aportes se encaixam numa disputa mais ampla por padrões de tokenização com aval regulatório. Poucos dias antes, a gestora Aviva Investors colocou no ar uma classe de cotas tokenizada de seu fundo de liquidez em dólar no XRP Ledger, após aprovação do Banco Central da Irlanda. Segundo a Ripple, parcerias com Aviva Investors, Franklin Templeton e DBS mostram gestoras interessadas em fundos tokenizados em escala.
O mesmo XRP Ledger já hospeda operações no Brasil. A VERT tokenizou o primeiro FIDC de recebíveis do INSS, com R$ 200 milhões em patrimônio, dentro do programa experimental LEAP da CVM, enquanto a Ripple pediu licença de prestadora de serviços de ativos virtuais junto ao Banco Central. No plano regulatório local, a CVM montou um grupo de trabalho que deve apresentar uma proposta de tokenização nos próximos meses.
O que observar
O sinal aqui não é a tokenização em si, que já virou commodity, mas o empilhamento das camadas que faltavam: registro de titularidade e uso das cotas como garantia. Quando emissão, transfer agency e mobilidade de colateral aparecem juntas no mesmo trilho, o gargalo deixa de ser criar o token e passa a ser negociá-lo e reaproveitá-lo com segurança jurídica. Vale acompanhar se gestoras de ativos vão de fato migrar estruturas de fundos para esses trilhos em volume, ou se a adoção fica restrita a pilotos.
A pergunta seguinte é regulatória. Reguladores de mercado de capitais em diferentes jurisdições ainda calibram como tratar a negociação secundária de cotas tokenizadas usadas como colateral, e organismos multilaterais já alertaram que a tokenização migra risco de bancos para o código. O teste será se a infraestrutura regulada consegue escalar sem concentrar em poucas plataformas a liquidação e a custódia de garantias.
Fontes: Finextra • Cointelegraph • CoinDesk • BPMoney