O Santander passou a vender e ativar chips digitais de dados (eSIM) dentro do próprio aplicativo, para uso em mais de 160 países. Na prática, o banco vira um revendedor de conectividade móvel: o cliente contrata o plano de roaming, ativa e acompanha o consumo sem sair do app. A novidade estreou na Espanha e será liberada em seguida para Portugal e México.
A eSIM do Santander em números
| Item |
Detalhe |
| Pacotes de dados |
3, 5, 10, 20 e 50 GB |
| Cobertura |
Mais de 160 países |
| Parceiro de tecnologia |
Gigs |
| Ordem de lançamento |
Espanha, depois Portugal e México |
Planos da eSIM lançada na Espanha em agosto de 2026. Fonte: Santander
De banco a revendedor de conectividade
O serviço foi desenvolvido sob um acordo global entre o Santander e a Gigs, empresa especializada em conectividade digital e eSIM. O banco afirmou, em comunicado, que o projeto “faz parte da estratégia de Negócios Globais do Santander para desenvolver soluções digitais escaláveis” (tradução livre do espanhol), com liberação gradual nos demais mercados do grupo.
O movimento coloca o Santander na mesma trilha de bancos digitais que passaram a oferecer chips de dados para evitar a conta de roaming, como Revolut e N26. No Brasil, o precedente já existe: no início de 2026, o PicPay lançou uma eSIM global para parte da base de clientes. A conectividade vira mais um item vendido dentro do app, ao lado de conta, cartão e investimentos.
O que muda para o cliente
Pelo app do Santander, os usuários podem contratar planos de dados, consultar o consumo e renovar os pacotes em poucos passos, antes ou durante a viagem. Os preços variam conforme o perfil de viagem e o tempo de estadia, com pacotes de 3, 5, 10, 20 e 50 GB. A cobertura alcança mais de 160 destinos, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Marrocos, Turquia, Japão, Brasil e Tailândia.
Por ora, o rollout confirmado não inclui a operação brasileira, onde o banco tem 76,2 milhões de clientes. O Brasil aparece apenas como destino de cobertura da eSIM, não como mercado em que o serviço será vendido nesta fase.
O que observar
A aposta testa até onde um banco consegue empacotar serviços não financeiros dentro do próprio app sem virar apenas uma vitrine de terceiros. Vale acompanhar se a conectividade gera receita incremental relevante ou funciona só como gancho de engajamento, mantendo o cliente dentro do aplicativo em momentos de viagem, quando o uso costuma cair.
A pergunta operacional é qual instituição com operação no Brasil replica o modelo primeiro e com qual margem. Revender dados móveis exige contrato com um agregador de eSIM e uma camada de atendimento para falhas de ativação, algo que foge do núcleo bancário. Se o teste na Espanha mostrar adesão, a discussão passa a ser sobre precificação e sobre quanto desse serviço o banco absorve como custo de retenção.
Fontes: Finextra • Santander • El Nacional