A Serasa Experian identificou 1.495.696 tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade digital no 1º trimestre de 2026, alta de 36,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume equivale a cerca de uma tentativa a cada 5 segundos e poderia gerar prejuízos de até R$ 1,98 bilhão para consumidores e empresas caso não fosse impedido. O dado abre a primeira edição do Mapa da Fraude, levantamento da datatech que reúne dados das tecnologias antifraude para mostrar como o fraudador atua em diferentes camadas da jornada digital.
Na mesma edição, a Serasa Experian identificou mais de 19 milhões de mensagens associadas a golpes e mais de 368 mil tentativas de fraude no e-commerce brasileiro durante o período.
O setor financeiro segue concentrando a maior parte das ocorrências, com 6 a cada 10 tentativas registradas em bancos, emissores de cartão, meios de pagamento e empresas de serviços financeiros e de crédito. Entre os segmentos analisados, “Meios de Pagamento” liderou em volume, com 644.586 tentativas, seguido por “Telefonia” (313.200) e “Bancos e Cartões” (259.160).
No recorte regional, o Sudeste respondeu por 38,5% das tentativas. Apenas São Paulo concentrou mais de 230 mil ocorrências, o equivalente a 15,8% do total nacional. Norte e Centro-Oeste dobraram a quantidade de tentativas no período, indicando expansão da atuação dos fraudadores em diferentes partes do país. Por geração, 70,7% das tentativas se concentraram majoritariamente na população economicamente ativa, entre 17 e 60 anos.
“O fraudador não atua de forma linear. Ele pode começar com uma mensagem de isca, usar dados de terceiros, tentar abrir um cadastro digital, fraudar uma identidade, manipular documentos, explorar contas laranja ou partir diretamente para a transação, entre outras frentes. Com o Mapa da Fraude, passamos a organizar essa leitura integrada, mostrando como a tentativa de golpe se movimenta e em que momento busca gerar prejuízo financeiro”, afirma Eric Dhaese, Vice-presidente de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, que comprou a IDwall em maio de 2026 por R$ 400 milhões para reforçar a operação antifraude.
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Grupos de conteúdo fraudulento crescem 139% no 1º tri
Na camada de cibersegurança, a Serasa Experian identificou 10.053 anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos no 1º trimestre de 2026, alta de 8,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Também foram mapeadas 19,7 milhões de mensagens associadas a golpes, média de 152 mensagens por minuto, e quase 2 mil grupos de circulação e troca de conteúdo fraudulento, avanço de 139% na comparação anual.
“A fraude está cada vez mais estruturada. Não se trata apenas de uma mensagem suspeita chegando ao consumidor, mas de um ecossistema de anúncios, perfis, páginas, aplicativos e grupos que sustentam a disseminação das tentativas”, afirma Dhaese.
E-commerce: 1 a cada 100 transações é tentativa de fraude
Na camada transacional, quase 1 a cada 100 transações no e-commerce foi considerada tentativa de fraude no 1º trimestre de 2026. Ao todo, foram registradas mais de 368 mil ocorrências, o equivalente a uma tentativa a cada 21 segundos, que somaram R$ 337,9 milhões em valor preservado por meio das soluções antifraude. O ticket médio das tentativas foi de R$ 917,52, valor 62% acima do pedido legítimo.
A categoria “Beleza” liderou em quantidade de tentativas, com 33,7 mil ocorrências, seguida por “Calçados” (29,4 mil) e “Saúde” (18,9 mil). Já entre as categorias com maior risco, “Celulares” aparece no topo, com risco de 3,11%, ou seja, uma tentativa a cada 32 pedidos legítimos. Na sequência estão “Acessórios eletrônicos”, com 2,62%, e “Eletrônicos”, com 2,11%.
“Mesmo quando a taxa parece pequena, o impacto financeiro é relevante pela escala do comércio digital. É na transação que o fraudador tenta transformar a tentativa em dinheiro. Por isso, olhar comportamento de compra, dispositivo, meio de pagamento, histórico e padrão do consumidor é essencial para diferenciar uma compra legítima de uma fraude”, declara Dhaese.
IA, fraude como serviço e identidades sintéticas
O Mapa da Fraude também aponta movimentos que devem exigir atenção nos próximos meses. Entre eles estão o avanço do Fraud as a Service, modelo em que golpes, kits, scripts e serviços especializados são comercializados para facilitar a atuação criminosa; o uso indevido de inteligência artificial generativa para tornar abordagens mais personalizadas, convincentes e escaláveis; e a pressão crescente de identidades sintéticas, com combinações realistas de dados, imagens e narrativas para tentar atravessar camadas de autenticação. Deepfakes e conteúdos gerados com apoio de IA que simulam autoridade, como o uso indevido de figuras públicas, representantes do governo e veículos de imprensa, também aparecem como pontos de atenção.
“A inteligência artificial não aparece necessariamente como uma categoria estatística isolada, mas como uma tecnologia que, quando usada de forma indevida, pode ampliar escala, realismo e personalização dos golpes. Ela pode tornar páginas falsas mais críveis, mensagens mais naturais e perfis sintéticos mais difíceis de identificar. Por isso, estar um passo à frente do fraudador exige leitura contínua de dados, tecnologia e inteligência analítica em diferentes pontos da jornada”, avalia Dhaese.
O que observar
O recorte interessa principalmente a bancos, emissores de cartão, fintechs de meios de pagamento, plataformas de telefonia e marketplaces, que concentram a maior parte das tentativas e absorvem o custo direto do prejuízo evitado. Vale acompanhar como áreas de risco redesenham fluxos de onboarding para conter identidades sintéticas, como times de cibersegurança lidam com a multiplicação dos grupos de circulação de conteúdo fraudulento e como categorias de alto ticket médio ajustam regras de autenticação no checkout.