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UPI, o Pix indiano, pode deixar de ser grátis a lojas

Nova legislação na Índia abre caminho para cobrar tarifa de lojistas no UPI, encerrando a gratuidade total de 2020 e reacendendo o debate sobre o Pix.

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Atualizado em

A rede de pagamentos instantâneos da Índia, o UPI, deu o primeiro passo para cobrar tarifa de lojistas. Uma nova legislação abre caminho para encerrar o regime de gratuidade total que vigora desde 2020 e dar à rede um modelo de receita, o mesmo dilema de sustentabilidade que ronda o Pix no Brasil.

UPI: da gratuidade total ao modelo de receita

Indicador Número
Transações (julho/2026) 23,66 bilhões
Valor movimentado (julho/2026) ₹29,88 tri (US$ 313,4 bi)
Tarifa de lojista desde 2020 zero
Receita potencial com tarifa (até 2028) US$ 525 mi a 1,05 bi/ano

Números do UPI em 2026 e estimativa de receita com tarifas. Fonte: TechCrunch

O fim da gratuidade total

A Índia zerou as tarifas de lojista (o chamado MDR) sobre o UPI em janeiro de 2020 para acelerar a adoção, e passou a bancar a operação com incentivos estatais. O texto agora em discussão não impõe tarifas por conta própria nem define quais transações seriam afetadas, deixando os detalhes para depois. Ele apenas cria a base legal para uma eventual mudança, depois de anos de disputa entre o Ministério das Finanças, o banco central indiano e as empresas de pagamento sobre como financiar uma rede que processa 23,66 bilhões de transações por mês.

Bancos e fintechs argumentam que manter os pagamentos de lojistas gratuitos ficou difícil de sustentar à medida que volumes e custos de infraestrutura subiram. “Para chegarmos a 90% de penetração e levar o UPI para o mundo, startups, fintechs e bancos precisarão financiar essa expansão com investimentos contínuos em TI, inovação e cibersegurança” (em tradução livre), escreveu Amrish Rau, CEO da fintech Pine Labs, no X, ao saudar a proposta. É a mesma corrida por escala que leva o país a mirar 1 bilhão de pagamentos por dia com ajuda de IA.

Quem ganha e quem paga

Analistas de mercado veem na medida o primeiro passo para uma nova fonte de receita. A Jefferies estimou que cobrar tarifas sobre transações de maior valor poderia gerar de US$ 525 milhões a US$ 1,05 bilhão por ano até o ano fiscal de 2028, com uma taxa de 15 a 30 pontos-base. A corretora Bernstein observou que as transações acima de ₹2.000 (cerca de US$ 21) respondem por apenas 4% do volume, mas por quase 70% do valor, o que sustenta a ideia de restringir a cobrança aos grandes lojistas.

A distribuição desse dinheiro é o ponto sensível. PhonePe, do Walmart, e o Google Pay, da Alphabet, concentram quase 80% do volume de transações do UPI, segundo a NPCI, num mercado onde Amazon e Meta contestam esse duopólio. Quanto cada empresa vai capturar depende de como as tarifas forem repartidas entre bancos, aplicativos e demais participantes. A definição será acompanhada de perto por países onde o UPI já opera, como Singapura, Emirados Árabes e França.

O que observar

A discussão indiana recoloca uma pergunta que vale para toda rede instantânea de pagamentos: quem paga a conta da infraestrutura quando o volume explode e a tarifa é zero. No Brasil, o Pix nunca foi inteiramente gratuito para quem vende: empresas pagam tarifa ao seu provedor de pagamento, enquanto pessoas físicas seguem isentas. Ou seja, a Índia caminha para um arranjo que o mercado brasileiro já pratica em parte, e não o contrário.

O que vale acompanhar é onde a pressão por monetização aparece no ecossistema brasileiro. Se a lógica de recuperar investimento em infraestrutura se firmar, o debate tende a se concentrar menos em taxar o Pix básico e mais nos trilhos pagos que crescem em cima dele, como recorrência e parcelamento. Para bancos, adquirentes e provedores de infraestrutura de pagamento, a questão prática é calibrar tarifa sem travar a adoção que tornou essas redes ubíquas.

Fontes: TechCrunchBusiness StandardLet’s MoneyLet’s Money

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