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Visa compra BioCatch por US$ 2,4 bi contra fraude com IA

Visa fecha acordo de US$ 2,4 bilhões pela israelense BioCatch, de biometria comportamental, para barrar golpes e roubo de conta antes do pagamento.

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· 3 min

Atualizado em

frantic00 / Shutterstock.com

A Visa fechou acordo para comprar a israelense BioCatch por US$ 2,4 bilhões em dinheiro, em um movimento para deter golpes e roubo de conta antes que a fraude chegue ao momento do pagamento. Vendida por fundos aconselhados pela gestora Permira, a BioCatch é especializada em biometria comportamental, tecnologia que já protege usuários de bancos no Brasil.

A escala da BioCatch

Métrica Número
Dispositivos protegidos 1,8 bilhão
Usuários 760 milhões
Clientes bancários Mais de 350, em 21 países
Maiores bancos do mundo Mais de 100

Alcance global da BioCatch. Fonte: Finextra

O que a biometria comportamental faz

Diferente da biometria facial ou da digital, a biometria comportamental não identifica o usuário por uma foto ou impressão. Ela analisa como a pessoa se comporta na sessão: a cadência das teclas, os gestos na tela, o jeito de segurar o aparelho. A partir de milhares desses sinais em tempo real, o sistema separa o cliente legítimo do fraudador, mesmo quando o golpista já tem a senha ou está com o próprio dono do celular sob coação.

É essa camada que a Visa quer levar para dentro da esteira de pagamentos. “Golpes e roubos de conta custam mais de US$ 1 trilhão por ano à economia global, e a IA está viabilizando esses ataques em uma escala sem precedentes”, disse Andrew Torre, presidente de serviços de valor agregado da Visa. Segundo o executivo, a BioCatch vai ajudar os clientes da bandeira a deter a fraude antes que ela chegue ao ponto de pagamento. Nos últimos cinco anos, a Visa investiu mais de US$ 13 bilhões em tecnologia e infraestrutura contra fraude.

Por que o Brasil entra na conta

A BioCatch não é estranha ao mercado brasileiro. Em maio de 2026, a empresa lançou no Brasil o DeviceIQ, solução antifraude que avalia o aparelho em milissegundos, antes mesmo do login no app do banco. O país virou vitrine de fraude digital na esteira do Pix, e o combate a contas laranjas e a golpes de engenharia social entrou no topo da agenda dos bancos, como a Zetta apontou ao classificar a engenharia social como frente crítica no Pix.

A compra também dá sequência ao movimento da própria Visa contra golpes. A bandeira vem ampliando o cerco a fraudes e recentemente rastreou US$ 2,6 bilhões em transações suspeitas. No Brasil, o uso de IA para blindar a esteira financeira já preocupa até quem defende: bancos locais passaram a enxergar a IA agêntica como nova arma do crime. “Por mais de uma década, demonstramos a capacidade única do comportamento de distinguir o criminoso do legítimo”, afirmou Gadi Mazor, CEO da BioCatch.

O que observar

A compra ainda depende de aprovações regulatórias, com fechamento previsto para o segundo trimestre fiscal de 2027 da compradora. Enquanto isso não sai, vale acompanhar um movimento de fundo: as redes de pagamento estão comprando fornecedores independentes de antifraude e trazendo essa inteligência para dentro da própria esteira. Se essa consolidação avançar, a pergunta é o que sobra de mercado para as fintechs de segurança que vendem a bancos de forma neutra, e se instituições financeiras vão aceitar depender da mesma rede para transacionar e para decidir o que é fraude.

Há também uma camada de dados sensíveis. Biometria comportamental é, na prática, a leitura contínua de como cada pessoa usa o próprio aparelho. Vale observar como reguladores e autoridades de proteção de dados vão tratar a concentração desse tipo de sinal comportamental nas mãos de um único operador de escala global, e se isso vira tema de compliance para as instituições que adotam a tecnologia.

Fontes: FinextraVisaBioCatchMobile Time

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