A Visa fechou acordo para comprar a israelense BioCatch por US$ 2,4 bilhões em dinheiro, em um movimento para deter golpes e roubo de conta antes que a fraude chegue ao momento do pagamento. Vendida por fundos aconselhados pela gestora Permira, a BioCatch é especializada em biometria comportamental, tecnologia que já protege usuários de bancos no Brasil.
A escala da BioCatch
| Métrica |
Número |
| Dispositivos protegidos |
1,8 bilhão |
| Usuários |
760 milhões |
| Clientes bancários |
Mais de 350, em 21 países |
| Maiores bancos do mundo |
Mais de 100 |
Alcance global da BioCatch. Fonte: Finextra
O que a biometria comportamental faz
Diferente da biometria facial ou da digital, a biometria comportamental não identifica o usuário por uma foto ou impressão. Ela analisa como a pessoa se comporta na sessão: a cadência das teclas, os gestos na tela, o jeito de segurar o aparelho. A partir de milhares desses sinais em tempo real, o sistema separa o cliente legítimo do fraudador, mesmo quando o golpista já tem a senha ou está com o próprio dono do celular sob coação.
É essa camada que a Visa quer levar para dentro da esteira de pagamentos. “Golpes e roubos de conta custam mais de US$ 1 trilhão por ano à economia global, e a IA está viabilizando esses ataques em uma escala sem precedentes”, disse Andrew Torre, presidente de serviços de valor agregado da Visa. Segundo o executivo, a BioCatch vai ajudar os clientes da bandeira a deter a fraude antes que ela chegue ao ponto de pagamento. Nos últimos cinco anos, a Visa investiu mais de US$ 13 bilhões em tecnologia e infraestrutura contra fraude.
Por que o Brasil entra na conta
A BioCatch não é estranha ao mercado brasileiro. Em maio de 2026, a empresa lançou no Brasil o DeviceIQ, solução antifraude que avalia o aparelho em milissegundos, antes mesmo do login no app do banco. O país virou vitrine de fraude digital na esteira do Pix, e o combate a contas laranjas e a golpes de engenharia social entrou no topo da agenda dos bancos, como a Zetta apontou ao classificar a engenharia social como frente crítica no Pix.
A compra também dá sequência ao movimento da própria Visa contra golpes. A bandeira vem ampliando o cerco a fraudes e recentemente rastreou US$ 2,6 bilhões em transações suspeitas. No Brasil, o uso de IA para blindar a esteira financeira já preocupa até quem defende: bancos locais passaram a enxergar a IA agêntica como nova arma do crime. “Por mais de uma década, demonstramos a capacidade única do comportamento de distinguir o criminoso do legítimo”, afirmou Gadi Mazor, CEO da BioCatch.
O que observar
A compra ainda depende de aprovações regulatórias, com fechamento previsto para o segundo trimestre fiscal de 2027 da compradora. Enquanto isso não sai, vale acompanhar um movimento de fundo: as redes de pagamento estão comprando fornecedores independentes de antifraude e trazendo essa inteligência para dentro da própria esteira. Se essa consolidação avançar, a pergunta é o que sobra de mercado para as fintechs de segurança que vendem a bancos de forma neutra, e se instituições financeiras vão aceitar depender da mesma rede para transacionar e para decidir o que é fraude.
Há também uma camada de dados sensíveis. Biometria comportamental é, na prática, a leitura contínua de como cada pessoa usa o próprio aparelho. Vale observar como reguladores e autoridades de proteção de dados vão tratar a concentração desse tipo de sinal comportamental nas mãos de um único operador de escala global, e se isso vira tema de compliance para as instituições que adotam a tecnologia.
Fontes: Finextra • Visa • BioCatch • Mobile Time