Leonardo Baltieri, Guilherme Rosenthal e Caio Gelfi. Foto: Divulgação
A Vixtra captou R$ 50 milhões em Série A liderada pela Valor Capital. A fintech, que financia importadores usando a mercadoria em trânsito como colateral, vai aplicar os recursos em três produtos hoje em beta, com lançamento previsto pra os próximos meses: câmbio com stablecoin, empréstimo com stablecoin e uma conta global.
Quem entrou na rodada
A rodada teve a Valor Capital à frente, gestora que já era investidora da Vixtra na captação pré-Série A de 2024. Entraram como co-investidores Headline, NXTP, Actyus, Blustone e Simma Capital, além de investidores-anjo. Em 2024, a fintech já havia levantado R$ 180 milhões: R$ 150 milhões via FIDC e R$ 30 milhões em rodada pré-Série A. Com a operação atual, o total acumulado chega a R$ 230 milhões.
A receita mensal anualizada (ARR) bateu US$ 12 milhões em maio, cerca de R$ 60 milhões, e a operação cresceu 2,5x na comparação ano contra ano. A carteira de crédito está em R$ 250 milhões, com prazo médio de 90 dias por operação, o que aponta pra volume anualizado de R$ 1 bilhão. Hoje, são 200 importadoras na base ativa.
Vixtra em junho de 2026
Indicador
Valor
Série A captada
R$ 50 milhões
Captação acumulada (2024 + 2026)
R$ 230 milhões
ARR (receita mensal anualizada)
US$ 12 milhões
Carteira de crédito
R$ 250 milhões
Importadoras na base ativa
200
Financiamento por carga
70%
Crescimento ano contra ano
2,5x
Indicadores informados pela Vixtra em junho de 2026. Fonte: Brazil Journal
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Carga em trânsito como colateral
Fundada em 2021 por Caio Gelfi, Guilherme Rosenthal e Leonardo Baltieri, a Vixtra construiu um modelo de garantia que a diferencia do banco grande na concessão de crédito. A fintech financia 70% do valor da carga e usa a mercadoria inteira como colateral. Em caso de inadimplência, a mercadoria fica travada no porto e é revendida pra outro importador da própria base, o que mantém a recuperação acima do valor financiado mesmo com desconto na revenda.
“Os bancos tipicamente usam duplicatas, imóveis ou valores em conta como garantia. A gente permite usar a carga que o importador tem, e que está em trânsito, transformando isso num ativo para as empresas”, afirmou Guilherme Rosenthal, co-fundador e co-CEO da Vixtra, ao Brazil Journal.
No crédito, a fintech se vende como solução adicional. O importador que usa a Vixtra continua cliente dos bancos pra desconto de duplicata e operações com imóveis em garantia. No câmbio, o posicionamento é outro. “Já no câmbio, aí sim somos concorrentes. Ou ele vai fazer com a gente ou com os bancões”, disse Leonardo Baltieri, co-fundador e co-CEO da Vixtra.
A próxima fase tem stablecoin no meio
Os três produtos em desenvolvimento (câmbio com stablecoin, empréstimo com stablecoin e conta global) estão em versão beta. O lançamento oficial está previsto pra os próximos meses, segundo a empresa. No médio prazo, a Vixtra planeja entrar em seguro e hedge cambial. A meta comercial é triplicar a cadência de aquisição: dos 10 novos clientes mensais hoje para 20 a 30.
Em 2025, o Brasil importou mais de US$ 262 bilhões em bens, com peso de maquinário, eletrônicos, insumos industriais e químicos. PMEs respondem por mais de 80% das empresas importadoras do país, mas enfrentam barreiras maiores no acesso a crédito bancário convencional, segundo dados informados pela Vixtra. É o espaço que fintechs especializadas em capital de giro para comércio exterior tentam ocupar.
O que observar
A pergunta é se fintechs de trade finance conseguem capturar valor em câmbio sem replicar o balanço dos bancos grandes. O modelo de garantia em carga em trânsito resolve a parte de crédito, mas o teste estratégico está na execução dos produtos em stablecoin: spread de câmbio competitivo, custo de liquidação baixo e velocidade no fechamento da operação. Vale acompanhar a conversão do beta em receita recorrente nos próximos trimestres e o tamanho médio das operações de câmbio gerado por importadora ativa.