A Wise comprou a Expatica, portal global de orientação para expatriados que registrou mais de 7 milhões de visitas em 2025. A fintech britânica, que diz atender hoje cerca de 19 milhões de pessoas e empresas no mundo, não revelou o valor da operação. O movimento amplia o alcance da Wise nos estágios iniciais da jornada de quem decide morar fora do país de origem.
Wise e Expatica em números
| Item |
Dado |
| Visitas Expatica em 2025 |
mais de 7 milhões |
| Fundação Expatica |
2000 |
| Mercados-chave Expatica |
França, Alemanha, Portugal, Espanha |
| Migrantes internacionais (ONU, 2024) |
304 milhões (3,7% da população) |
| Clientes globais da Wise |
cerca de 19 milhões |
Dados divulgados no anúncio da aquisição. Fonte: Finextra
O que entra para o portfólio da Wise
Fundada em 2000, a Expatica reúne conteúdo prático sobre vida fora do país de origem, com edições locais cobrindo relocação, moradia, saúde, imigração e finanças. As maiores audiências do portal estão em França, Alemanha, Portugal e Espanha, segundo a Wise. A escala do mercado endereçável é grande: relatório da ONU de 2024 contabiliza 304 milhões de migrantes internacionais, equivalente a 3,7% da população mundial.
Para a Wise, a Expatica funciona como ativo em estágio inicial do funil. O usuário em potencial costuma encontrar o portal quando ainda está pesquisando o país de destino, antes da primeira decisão sobre conta multimoeda ou transferência internacional. A fintech britânica diz hoje atender cerca de 19 milhões de pessoas e empresas no mundo, muitas vivendo fora do país onde nasceram.
A virada de funil
Em comunicado à imprensa internacional, Danny Butler, head of Owned Sites da Wise, afirmou que mudar para o exterior é “empolgante” mas também pode ser “avassalador”, em meio à necessidade de entender um país novo, um sistema novo e várias decisões financeiras ao mesmo tempo. Segundo o executivo, a Expatica passou anos ajudando pessoas a entender a vida fora com orientação prática e localmente relevante, o que forma “um encaixe forte” com a Wise (em tradução livre do original em inglês).
A aquisição entra numa sequência recente de movimentos globais. Em maio, a Wise estreou na Nasdaq com US$ 243 bi em pagamentos processados no ano fiscal anterior. Antes, em setembro de 2025, a empresa havia anunciado que mira a licença bancária britânica para controlar os trilhos do dinheiro no Reino Unido. A compra da Expatica adiciona um ativo de natureza editorial, distinto dos investimentos em infraestrutura e licença que marcaram a estratégia recente.
O setor cross-border vive semanas movimentadas. Em junho, segundo a Reuters, a Nuvei negocia compra da Payoneer por US$ 2,7 bi. Em outra frente, o Bank of America prepara serviço de cross-border em tempo real para clientes corporativos, com o Pix de fora do escopo inicial. Dados internos do Let’s Money confirmam o pico do tema: foram cinco matérias diretas sobre cross-border nos últimos 60 dias. A combinação sugere que a corrida por canais cross-border deixou de ser apenas sobre rails de pagamento e passou a incluir audiência e conteúdo.
O que observar
Vale acompanhar como fintechs de remessa e contas multimoeda passam a competir por ativos de conteúdo e mídia em torno da experiência migratória. Quando o ponto de contato com o cliente migra do momento da transação para o momento da decisão de vida, plataformas de orientação (relocação, imigração, moradia) viram canais de aquisição de baixo custo e, eventualmente, alvo de M&A entre adquirentes globais e bancos com licença cambial.
A pergunta que fica é se essa virada vai recompor o gasto de marketing das fintechs cross-border, hoje dominado por SEO, mídia de performance e parcerias bancárias, e se reguladores de proteção ao consumidor, em especial em jurisdições da União Europeia, passarão a exigir transparência sobre o vínculo entre conteúdo editorial e produto financeiro recomendado dentro de uma mesma marca.
Fontes: Finextra • Let’s Money: Wise estreia na Nasdaq • Let’s Money: Wise mira licença bancária britânica • Let’s Money: Nuvei negocia Payoneer