Firmas de contabilidade do Reino Unido que colocaram a inteligência artificial no fluxo diário de trabalho estão poupando, em média, 18 horas e 53 minutos por semana, quase metade da jornada de um funcionário. É o que aponta um estudo da Xero com o Cebr e a Censuswide, que liga a adoção de IA a um salto de lucratividade no setor.
IA na contabilidade britânica, em números
| Métrica |
Valor |
| Firmas que usam IA de alguma forma |
98% |
| Tempo poupado por semana |
18h53 (31% menos tempo) |
| Ganho de lucro no setor |
£338 milhões |
| Impacto na economia |
£1,6 bilhão em valor agregado |
| Gasto médio anual em IA |
£1.746 |
Pesquisa Xero/Cebr/Censuswide com 515 firmas do Reino Unido, em agosto de 2025. Fonte: Xero
O tempo que virou lucro
A conta que a pesquisa faz é direta: quem tira tarefas repetitivas do caminho reinveste as horas em serviços que pagam mais. Segundo o estudo, 46% dos contadores e escritórios relataram ganhos de produtividade, o que elevou a lucratividade do setor em £338 milhões e adicionou £1 bilhão ao PIB britânico. O gasto para chegar lá foi modesto: média de £1.746 por ano em ferramentas e treinamento.
O uso já é quase universal, mas raso. Enquanto 98% das firmas usam IA de alguma forma, só 47% recorrem a ela ao menos uma vez por semana, por cerca de duas horas e 53 minutos ao dia. São ganhos parecidos com os relatados por operações que escalaram agentes de IA e mediram alta de produtividade. “A IA está impulsionando a maior reorganização de capital humano na história da contabilidade”, disse Stuart Miller, diretor de Pesquisa de Políticas Públicas e Tecnologia da Xero, em nota.
A contratação muda de eixo
O efeito colateral é sobre quem as firmas contratam. Três em cada quatro escritórios (76%) dizem que a IA já influenciou a estratégia de contratação, e 62% desses passaram a buscar mais profissionais de fora da contabilidade. Entre os perfis mais procurados aparecem especialistas técnicos (65%), de advisory (63%), de comunicação e relacionamento (63%) e até criativos (61%). É um recado alinhado a quem enxerga a IA como reforço, não substituição, do trabalho humano.
A barreira segue sendo gente preparada: falta de treinamento (36%) e de experiência (32%) foram os principais obstáculos citados para ampliar o uso. A própria Xero vem embutindo assistentes de IA na sua plataforma de contabilidade, movimento que empurra a adoção para dentro da rotina dos escritórios.
O que observar
O dado que sustenta a tese é o de tempo, não o de margem: horas poupadas em tarefas de rotina só viram lucro se forem redirecionadas para serviços de maior valor, como consultoria e planejamento. Vale acompanhar se o ganho de produtividade se distribui pelo setor ou se concentra nas firmas maiores, que têm mais fôlego para reorganizar equipes e migrar da cobrança por hora para modelos baseados em valor.
A pergunta seguinte é de talento. Se plataformas de contabilidade em nuvem automatizam a compliance e empurram os escritórios para o advisory, a escassez passa a ser de gente com repertório analítico e de relacionamento, não de quem executa a tarefa repetitiva. O gargalo declarado, treinamento e experiência, sugere que a curva de adoção depende menos de tecnologia e mais de requalificação, um teste que se estende a qualquer mercado onde a IA entra na linha de frente dos serviços profissionais.
Fontes: Xero • Let’s Money