
O Open Finance brasileiro começa a entrar em uma nova fase, menos centrada em compliance e mais orientada a retorno operacional. Esse é o pano de fundo da parceria anunciada pela Belvo com o Inter, que passa a usar dados financeiros como base para escalar decisões de crédito em alto volume.
A iniciativa posiciona a Belvo como camada de infraestrutura por trás da operação de crédito de uma das maiores plataformas financeiras digitais do país. Com mais de 40 milhões de clientes e ambição de ultrapassar 60 milhões até 2026, o Inter passou a tratar o crédito não apenas como produto, mas como desafio operacional de escala, onde eficiência, qualidade de dados e automação deixam de ser diferenciais e se tornam requisitos.
“Acreditamos que o futuro do sistema financeiro está na inteligência dos dados. Com o Inter, mostramos como grandes bancos podem entregar ainda mais valor e agilidade aos seus clientes. Atuamos como catalisador, oferecendo uma infraestrutura que se adapta às necessidades do Inter, para que ele possa criar soluções alinhadas à sua estratégia e impulsionar seus negócios”, afirmou Leandro Piano, CFO e General Manager da Belvo.
Belvo fornece infraestrutura
Na parceria, a Belvo fornece a infraestrutura necessária para operacionalizar o Open Finance dentro dos fluxos de crédito do Inter. A plataforma automatiza a coleta de dados consentidos, melhora a taxa de sucesso na extração das informações e reduz etapas manuais que historicamente limitavam a escalabilidade do crédito no sistema financeiro.
Além dos dados tradicionais de Open Finance, a Belvo também integra informações financeiras alternativas, como dados verificados de emprego e renda, conectando diferentes fontes em uma única camada de inteligência. Na prática, isso elimina processos analógicos, como envio de documentos físicos e comprovações manuais, e permite validações instantâneas diretamente na jornada digital.
Escala com eficiência e previsibilidade
Os números ajudam a dimensionar o impacto da operação. A coleta de dados de Open Finance escalou rapidamente após o início da parceria, com picos superiores a 40 mil conexões em um único dia. No mesmo período, a taxa de sucesso na extração de dados subiu de 62% para 76%, indicando ganhos simultâneos de volume e qualidade.
A demanda por dados de emprego e renda também acelerou de forma relevante, ultrapassando 140 mil solicitações mensais, com crescimento expressivo em poucos meses. O movimento indica que o Open Finance, quando integrado a dados alternativos, amplia a capacidade das instituições de avaliar risco com mais precisão e menor fricção.
Do compliance à estratégia
Para Pablo Viguera, Co-Founder & Co-CEO da Belvo, a parceria reflete uma tendência clara no mercado financeiro brasileiro: grandes instituições passaram a tratar o Open Finance como estratégia de crescimento. Em vez de operar com modelos de risco unidimensionais, baseados em poucas variáveis, bancos buscam uma visão mais ampla e dinâmica do comportamento financeiro dos clientes.
Ao atuar como infraestrutura interoperável e confiável, a Belvo se posiciona como habilitadora desse novo padrão, em que dados não apenas informam decisões, mas sustentam operações críticas em larga escala. O caso do Inter reforça que o Open Finance começa a cumprir seu papel mais ambicioso: transformar crédito, risco e rentabilidade de forma estrutural.