
A indústria de pagamentos investiu 2025 construindo agentes de IA autônomos para fazer compras sozinhos. Google lançou o Agent Payments Protocol com mais de 60 parceiros. Mastercard apresentou o Agent Pay. Visa desenvolveu o Intelligent Commerce. Todos projetados para permitir que agentes de IA naveguem, comparem e comprem sem intervenção humana.
Só que ninguém perguntou ao consumidor se ele queria isso. Quando a Worldpay pesquisou 8 mil pessoas em sete países, descobriu que 40% aceitariam ajuda de IA para navegar e comparar produtos. Mas apenas 6% querem autonomia total de compra. Esse gap de 34 pontos percentuais representa £29 bilhões só no Reino Unido até 2030.
O que bloqueia a adoção
Segundo o Payments Strategy Breakdown, três barreiras dominam. A primeira é o medo de compra errada: 67% temem que o agente compre o item incorreto. Sistemas de fraude tradicionais foram feitos para detectar comportamento humano suspeito. Um agente de IA pode verificar 20 lojas em 60 segundos e concluir uma compra em menos de 1 segundo, o que parece fraude para qualquer sistema atual.
A segunda barreira é o controle financeiro. Proteção contra fraude aparece como principal requisito de confiança globalmente, com 54% dos entrevistados. Outros 46% querem limites explícitos de gastos para agentes, algo como “você pode gastar até £200 por mês em supermercado, mas nada em eletrônicos sem perguntar”. A terceira é acesso a suporte humano: 44% não confiam em um agente sem poder falar com uma pessoa real quando algo dá errado.
O mercado que já existe
A diferença entre mercados é brutal. Na China, 72% citam velocidade e conveniência como principal atração, e 35% aceitariam compras totalmente autônomas hoje. No Reino Unido e Estados Unidos, os números caem para 6% e 9% respectivamente. A razão é simples: infraestrutura de pagamento móvel na China já opera em velocidades que fazem agentes parecerem apenas uma melhoria incremental, não uma mudança fundamental.
Os protocolos resolveram formatos de mensagem e tokenização de credenciais. Mas não resolveram a camada de orquestração que faz consumidores se sentirem confortáveis. O gap real está em workflows de aprovação em tempo real, detecção de fraude operando na velocidade de agentes, e sistemas de disputa para transações iniciadas por IA. A maioria dos varejistas não consegue conectar sozinha múltiplos provedores de fraude, verificação de identidade e frameworks de compliance que variam por mercado.
As empresas que construírem para os 31% que querem navegação colaborativa vão capturar os £29 bilhões. Quem construir para autonomia futura vai esperar anos por um mercado que pode nunca se materializar em países ocidentais.