
Depois de alguns anos ajustando portfólio e amadurecendo sua frente financeira, a Bemobi encerrou 2025 com um recado claro ao mercado: pagamentos viraram prioridade estratégica. Em um intervalo curto, a companhia anunciou duas aquisições que reforçam sua presença em Payment as a Service (PaaS) e ampliam o alcance da plataforma Bemobi Pay, tanto no microempreendedor quanto no segmento enterprise.
O movimento envolve a compra de 50,1% da Paytime, por um desembolso inicial de R$ 28,1 milhões, que pode chegar a R$ 55,1 milhões conforme metas até 2030, e a aquisição integral da Celer, por R$ 8,8 milhões. Juntas, as operações somam um investimento inicial de R$ 36,9 milhões e reforçam uma tese clara: construir uma infraestrutura própria e escalável de pagamentos.
Estratégia da Bemobi
Mais do que aquisições pontuais, o que chama atenção é o desenho estratégico. A Paytime seguirá operando de forma independente no atendimento ao microempreendedor, mantendo marca e operação, enquanto suas soluções passam a alimentar uma nova unidade de Bemobi PaaS, voltada ao mercado corporativo. Já os ativos da Celer, gateway próprio e gestão dinâmica de POS, entram diretamente no backbone tecnológico da Bemobi Pay.
Na prática, a Bemobi passa a controlar mais camadas da cadeia de pagamentos: da originação e processamento à gestão de terminais e integração com diferentes adquirentes. É um movimento que reduz dependência de terceiros, aumenta flexibilidade operacional e abre espaço para receitas recorrentes em um mercado cada vez mais competitivo.
Consolidação silenciosa no ecossistema financeiro
O timing também é relevante. Enquanto o mercado de fintechs vive um momento menos eufórico, com foco maior em eficiência e escala, a Bemobi avança de forma cirúrgica. Em vez de disputar protagonismo no varejo financeiro tradicional, a empresa parece mirar um espaço menos óbvio, mas estratégico: ser infraestrutura para pagamentos digitais, especialmente para empresas que buscam soluções white label, integradas e de menor custo operacional.
Esse tipo de consolidação costuma passar despercebido no curto prazo, mas tende a gerar efeitos estruturais no médio e longo prazo, especialmente em um mercado onde plataformas completas, e não soluções isoladas, ganham vantagem competitiva.
O que o movimento sinaliza
Ao ir às compras no fim do ano, a Bemobi sinaliza que enxerga 2026 como um ciclo de execução, não de experimentação. A aposta em PaaS e na integração profunda das soluções financeiras indica uma estratégia de crescimento baseada em escala, recorrência e controle tecnológico.
Para investidores e para o ecossistema, o recado é claro: a Bemobi quer deixar de ser apenas uma empresa de serviços digitais e se posicionar como plataforma financeira, num jogo onde infraestrutura vale tanto quanto produto final.