
O Itaú Unibanco atingiu R$ 1 trilhão em ativos sob gestão no Itaú Private Banking ao fim de 2025, dois anos antes do planejado. A marca reforça a tese do banco de que escala pode ser uma vantagem competitiva no mercado de grandes fortunas, um segmento tradicionalmente associado a atendimento boutique, proximidade e personalização.
Para o Itaú, o tamanho não é um obstáculo à sofisticação do serviço, mas um ativo estratégico. Segundo executivos do banco, a escala permite investir em tecnologia, inovação e experiências globais que players menores não conseguem replicar com a mesma profundidade, ao mesmo tempo em que amplia a presença regional para se aproximar do cliente.
Itaú Private e a vantagem da escala
De acordo com Paola Sarkis, diretora comercial do Itaú Private, a dimensão alcançada abre espaço para iniciativas que vão além do portfólio financeiro tradicional. O banco tem apostado em experiências internacionais ligadas a arte, esportes e cultura, como eventos globais patrocinados pelo grupo, como forma de gerar valor para famílias altamente sofisticadas.
A lógica é combinar infraestrutura tecnológica robusta, acesso a mercados globais e experiências exclusivas com um atendimento personalizado. “O objetivo é oferecer experiências que não podem ser simplesmente compradas”, afirmou a executiva em entrevista à Bloomberg Línea.
Essa estratégia tem caminhado em paralelo a uma revisão do perfil de cliente do private banking. O banco reduziu o patrimônio mínimo de entrada de R$ 15 milhões para R$ 10 milhões, movimento pensado para capturar uma nova geração de clientes de alta renda, incluindo herdeiros e empreendedores que construíram patrimônio ao longo da carreira.
Expansão regional e novos nichos
Segundo Alex Saud, diretor regional do Itaú Private, a mudança também respondeu ao avanço de gestoras independentes, family offices e escritórios autônomos, especialmente fora dos grandes centros. Nos últimos três anos, o banco expandiu sua presença regional de sete para 13 escritórios, com novas unidades em cidades como Goiânia, Fortaleza, Salvador, Brasília e Blumenau.
O movimento teve impacto direto no desempenho. Enquanto o market share nacional do Itaú no segmento private avançou de 29% para 31%, nas regionais o crescimento foi mais acelerado, saltando de 21% para cerca de 27%. A proximidade física e o entendimento da realidade local passaram a ser vistos como complementares à escala nacional do banco.
Além da expansão geográfica, o Itaú Private tem apostado em nichos temáticos. O agronegócio é o principal deles e já representa cerca de 9% da carteira, com atuação dedicada no Centro-Oeste. Outros segmentos estratégicos incluem tecnologia, entretenimento e esportes, refletindo a diversificação do perfil de grandes fortunas no país.
Ao antecipar a marca de R$ 1 trilhão sob gestão, o Itaú sinaliza que a disputa no private banking não será apenas entre grandes e pequenos, mas entre modelos capazes, ou não, de combinar escala, sofisticação e proximidade em um mesmo ecossistema.