Dólar
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A folha de pagamento em dólar começa a ganhar uma nova rota no Brasil. A Noah, provedora de infraestrutura baseada em stablecoins, firmou parceria com a Picnic para permitir que profissionais brasileiros recebam salários e pagamentos em dólares americanos de forma direta, simples e com menor custo.

A solução mira a crescente força de trabalho global do país, formada por profissionais que prestam serviços para empresas estrangeiras e recebem em moeda forte. Com a integração, contas, folha de pagamento e liquidações em dólar passam a estar disponíveis dentro do aplicativo da Picnic, eliminando a necessidade de manter contas em bancos dos Estados Unidos ou de recorrer a intermediários tradicionais.

Dólar direto no app, sem banco nos EUA

Na prática, o processo começa dentro do próprio aplicativo da Picnic. O usuário realiza o cadastro e a verificação e, em seguida, gera automaticamente uma conta virtual em dólares, viabilizada pela infraestrutura da Noah. Esses dados podem ser compartilhados com empregadores nos EUA, que realizam o pagamento via ACH padrão, como se estivessem pagando um trabalhador local.

Após o crédito, os valores são convertidos automaticamente em stablecoins e liquidados de forma quase instantânea na carteira do usuário. A partir daí, o profissional pode optar por manter os recursos em stablecoins ou utilizá-los no dia a dia por meio do cartão de débito da Picnic.

Segundo as empresas, o modelo reduz os custos em até 50%, ao eliminar conversões cambiais forçadas, spreads ocultos e atrasos de vários dias comuns nas remessas internacionais tradicionais.

Stablecoins como trilho de pagamento global

Para Shah Ramezani, a parceria responde a um descompasso entre a globalização do trabalho e a infraestrutura financeira disponível. Segundo ele, profissionais brasileiros estão cada vez mais integrados a mercados internacionais, mas ainda dependem de sistemas locais e pouco eficientes para receber seus rendimentos.

A proposta da Noah é construir uma infraestrutura financeira nativa do dólar, voltada especificamente para a força de trabalho global. Ao usar stablecoins como trilho de liquidação, a empresa busca reduzir fricções transfronteiriças e tornar o acesso ao dólar mais rápido, barato e previsível, segundo informações do “Finextra“.

Trabalho global e novos trilhos financeiros

O movimento se insere em uma tendência mais ampla: o crescimento do trabalho remoto e da contratação internacional está pressionando o sistema financeiro a oferecer soluções mais eficientes para pagamentos cross-border. Nesse cenário, stablecoins vêm ganhando espaço como alternativa à infraestrutura bancária tradicional, especialmente em operações recorrentes como folha salarial.

Para o ecossistema brasileiro, a parceria entre Noah e Picnic reforça a ideia de que o acesso ao dólar está deixando de ser um produto restrito a bancos internacionais para se tornar um serviço embutido em plataformas digitais. À medida que mais profissionais passam a ganhar em moeda estrangeira, soluções desse tipo tendem a ganhar relevância, não apenas como conveniência, mas como parte estrutural da economia globalizada do trabalho.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.