Foto: Divulgação / BC
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Cinco anos após seu lançamento, o Pix consolidou-se como o principal meio de pagamento entre os pequenos negócios no Brasil. Uma pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com o Ipespe aponta que quase seis em cada 10 empreendedores têm o Pix como principal forma de recebimento de vendas, enquanto 53% também preferem o instrumento para pagar fornecedores.

O levantamento mostra que o Pix superou com folga os meios tradicionais. Cartões de crédito e débito aparecem como a segunda principal forma de recebimento, somando 17% das menções, enquanto o dinheiro caiu para apenas 7%, reforçando a perda de espaço do papel-moeda na economia cotidiana dos pequenos negócios.

Pix ganha força entre MEIs e negócios menores

A preferência pelo Pix varia conforme o porte da empresa, mas é mais intensa entre os microempreendedores individuais (MEI). Nesse grupo, 70% indicam o Pix como principal meio de recebimento, à frente das microempresas (48%) e das empresas de pequeno porte (38%). O dado reforça o papel da ferramenta como vetor de inclusão financeira e de redução de custos operacionais para negócios de menor escala.

A liderança do Pix se mantém em todas as regiões do país, com destaque para os estados do Norte e Nordeste, onde a adesão é ainda mais expressiva. Entre as faixas etárias, a preferência é ampla, mas apresenta queda entre empreendedores com 60 anos ou mais, grupo em que 46% mencionam o Pix como principal meio de recebimento.

O recorte racial também revela diferenças relevantes. Segundo a pesquisa, empreendedores negros utilizam mais o Pix para vender (66%) do que os donos de negócios brancos (54%), indicando que a ferramenta tem contribuído para ampliar o acesso a meios digitais de pagamento em diferentes perfis de empreendedores.

Pagamento de fornecedores segue a mesma tendência

O domínio do Pix não se limita ao recebimento de vendas. No pagamento de fornecedores, o instrumento é citado por 53% dos empreendedores, contra 23% para boletos e apenas 8% para cartões de crédito. Mais uma vez, os MEIs lideram o uso, com 59%, seguidos por microempresas (46%) e empresas de pequeno porte (38%).

Para Décio Lima, presidente do Sebrae, a predominância do Pix reflete um processo irreversível de digitalização. Segundo ele, a tecnologia já se consolidou como parte da rotina dos pequenos negócios, ampliando oportunidades e contribuindo para a geração de empregos. O dirigente também alerta que os empreendedores precisam acompanhar as inovações, já que os clientes tendem a adotar, e exigir, novas tecnologias com rapidez.

Os dados reforçam um movimento estrutural do sistema financeiro brasileiro: o Pix deixou de ser apenas uma inovação de pagamentos e passou a ocupar o centro da operação financeira dos pequenos negócios, redefinindo como empreendedores recebem, pagam e organizam seu fluxo de caixa.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.