Pix
Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O avanço do Pix e do Open Finance colocou o Brasil em uma posição singular no mapa global da inovação em pagamentos. A combinação entre regulação ativa, escala de usuários e rápida adoção de novas tecnologias transformou o País em um verdadeiro laboratório para testes de soluções que, em muitos casos, só chegam a outros mercados depois de validadas por aqui.

Atualmente, o Pix já soma mais de 170 milhões de usuários pessoas físicas e movimenta trilhões de reais por mês, criando um ambiente fértil para experimentação. Esse cenário levou gigantes como Visa e Mastercard a elegerem o Brasil como prioridade no desenvolvimento de novos produtos e serviços digitais.

Pix e Open Finance no centro da estratégia global

No caso da Visa, o Brasil ganhou uma estrutura dedicada à inovação com a criação da Visa Conecta, unidade voltada ao desenvolvimento de soluções digitais. A atuação começou com iniciativas ligadas ao Pix, como pagamentos por aproximação e biometria, e deve avançar conforme a evolução regulatória para frentes como Pix Automático, Pix Inteligente, stablecoins e até câmbio.

A leitura da companhia é que o ecossistema brasileiro antecipa tendências que tendem a se espalhar globalmente. A combinação entre Pix e Open Finance cria um ambiente completo, com infraestrutura moderna e consumidores dispostos a testar novas funcionalidades. Hoje, cerca de um terço da população bancarizada já participa do Open Finance, com mais de 70 milhões de consentimentos ativos.

Esse protagonismo está diretamente ligado ao papel do Banco Central do Brasil, cuja atuação regulatória ajudou a criar um sistema aberto, interoperável e seguro, favorecendo a entrada de novos modelos de negócio e tecnologias.

IA, pagamentos agênticos e novos modelos

Na Mastercard, o Brasil também ocupa posição central. Quatro inovações globais da empresa foram testadas primeiro no País, incluindo o Passkey, que elimina o uso de senhas em compras digitais. Para 2026, uma das apostas mais ambiciosas é o chamado “pagamento agêntico”, em que agentes de inteligência artificial participam de toda a jornada de compra, da recomendação ao pagamento final.

Os primeiros testes desse modelo ocorreram no Brasil em parceria com o Magazine Luiza, permitindo que consumidores realizem toda a experiência de compra por comandos de voz e mensagens, sem sair de canais como o WhatsApp. A iniciativa reforça o papel do País como ambiente de validação de tecnologias ainda em fase inicial em outros mercados.

A inteligência artificial também vem sendo aplicada à segurança. A Visa testou no ecossistema do Pix uma solução antifraude baseada em IA capaz de identificar transações suspeitas em tempo real. A ferramenta analisou centenas de bilhões de dólares em operações e contribuiu para a prevenção de fraudes em larga escala, mostrando como o volume e a diversidade de dados do mercado brasileiro aceleram o desenvolvimento dessas soluções.

Um celeiro de inovação que vai além do cartão

O avanço dessas frentes reflete uma mudança estrutural no setor de pagamentos. Empresas consolidadas buscam ir além do modelo tradicional de cartões e explorar novas fontes de receita em serviços de valor agregado, como segurança, automação, dados e integração tecnológica.

Nesse contexto, Pix e Open Finance não são apenas instrumentos de pagamento, mas plataformas de inovação. Para Visa e Mastercard, o Brasil se tornou um ambiente estratégico para testar o futuro do setor e, cada vez mais, um ponto de partida para soluções que devem ganhar escala global.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.