
Instituições financeiras nos Estados Unidos estão em alerta máximo contra uma nova geração de fraudes: documentos falsificados por inteligência artificial generativa. A tecnologia, acessível a qualquer pessoa, permite criar recibos, extratos bancários, contas de luz e até identidades sintéticas completas com realismo impressionante — e em segundos.
Sepideh Rowland, sócia da consultoria Klaros Group e conselheira do Battle Bank, demonstrou a vulnerabilidade ao criar um recibo falso de restaurante usando apenas o Microsoft Copilot. Com um comando simples, a IA buscou pratos e preços reais do cardápio, gerou o documento e ainda adicionou amassados e uma mancha de água para dar autenticidade. “Funcionários estão fazendo isso agora em suas empresas, em escala”, alertou Rowland em post no LinkedIn.
IA contra IA na corrida armamentista digital
Segundo o portal American Banker, o problema vai além de reembolsos fraudulentos. Criminosos podem criar empresas fictícias para solicitar empréstimos, abrir contas para lavar dinheiro ou fabricar identidades sintéticas convincentes — incluindo vídeos deepfake que respondem a comandos como “vire a cabeça para a direita”.
Ryan Hildebrand, diretor de inovação do Bankwell Bank, define a situação como “uma corrida armamentista” que exige investimento contínuo em tecnologia de detecção. O banco combina ferramentas de verificação de metadados com análise comportamental e revisão humana para casos suspeitos.
Amanda Swoverland, presidente do Hatch Bank, ressalta que o olho humano não consegue mais identificar essas fraudes sozinho. “É preciso combater IA com IA”, afirma. Empresas como Mitek, Onfido, Inscribe e Socure desenvolvem soluções específicas para detectar documentos gerados ou alterados por inteligência artificial.
Regulação desatualizada agrava vulnerabilidade
Bancos comunitários, com recursos limitados, são alvos preferenciais. Rowland aponta que regulamentações antigas — como a Lei de Sigilo Bancário, sem modernização há 50 anos — deixam o setor vulnerável. “Estamos presos a requisitos legados e marcação de caixinhas. Precisamos nos mover em tempo real”, defende.
Uma pesquisa da American Banker mostra que 59% dos executivos bancários consideram detecção de fraudes o caso de uso de IA com maior impacto esperado para 2026. O desafio é equilibrar segurança rigorosa com experiência do cliente, evitando criar ambientes hostis para usuários legítimos.