Foto: Divulgação
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O Banco Central do Brasil abriu uma investigação interna para apurar a condução do processo de fiscalização e da liquidação extrajudicial do Banco Master, instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A auditoria, de caráter sigiloso, busca identificar eventuais falhas na atuação da área técnica diante do crescimento acelerado e do aumento do risco das operações do banco antes da intervenção.

A sindicância foi determinada ainda em novembro pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, logo após a decretação da liquidação extrajudicial do Master. Apesar de instaurada no fim de 2025, a existência do processo só veio a público agora, justamente por se tratar de um procedimento interno e reservado dentro da autarquia, segundo informações do “G1“.

Investigação interna no BC

O foco da investigação é entender por que os mecanismos de supervisão não reagiram com maior antecedência ao avanço das operações consideradas de risco do Banco Master. Segundo informações apuradas por veículos de imprensa, a auditoria pretende reconstruir a linha do tempo da fiscalização, avaliando decisões, alertas e eventuais omissões no acompanhamento da instituição.

Como consequência direta da abertura da sindicância, dois dirigentes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) foram afastados de seus cargos: Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza. O afastamento não implica, por ora, conclusão sobre responsabilidades individuais, mas reflete a gravidade atribuída pelo BC ao caso.

Internamente, Galípolo tem reforçado que a iniciativa não se trata de uma “caça às bruxas”, mas de um processo técnico para identificar falhas estruturais e evitar que situações semelhantes se repitam. Liquidações extrajudiciais são medidas extremas e raras, e exigem documentação robusta, rastreabilidade das decisões e avaliação criteriosa da atuação do regulador.

Impacto institucional do caso Master

O colapso do Banco Master provocou forte instabilidade institucional e reacendeu o debate sobre os limites da supervisão prudencial no Brasil, especialmente em um ambiente que buscava estimular a concorrência bancária e o crescimento de instituições médias. O banco vinha expandindo rapidamente suas operações, inclusive com estruturas complexas e ativos de maior risco, até que a situação se tornou insustentável.

Além do impacto direto sobre investidores e sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o episódio passou a ser questionado sob a ótica do próprio regulador. A investigação interna sinaliza que o BC reconhece a necessidade de revisar processos, fluxos de informação e critérios de atuação preventiva.

O desfecho da auditoria ainda não tem prazo para conclusão. Seus resultados podem gerar ajustes na governança da supervisão bancária, mudanças de procedimentos e até recomendações formais para reforçar o monitoramento de riscos no sistema financeiro. Mais do que encerrar o caso Master, o objetivo declarado é fortalecer a credibilidade e a capacidade de resposta do Banco Central diante de crises futuras.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.