Foto: Divulgação
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O Banco Central reforçou as suspeitas em torno do caso do Banco Master ao afirmar que não identificou registros de Pix, TED, boletos ou qualquer outra forma tradicional de movimentação financeira ligados às operações de crédito sob investigação. A informação consta de documentos enviados à Polícia Federal no âmbito da apuração que envolve a venda de carteiras ao Banco de Brasília (BRB), de acordo com o “Metrópoles“.

Segundo o BC, ao consultar os sistemas de pagamento sob sua supervisão, não foi encontrada evidência de fluxo financeiro compatível com as operações de crédito que teriam sido originadas e posteriormente negociadas pelo Master. A ausência de rastros básicos, como transferências, pagamentos ou liquidações, chamou a atenção dos investigadores e se tornou um dos pontos centrais da apuração.

Caso Master e ausência de registros financeiros

De acordo com a investigação, a inconsistência entre o volume declarado das operações e a inexistência de movimentação nos sistemas oficiais levanta dúvidas sobre a efetiva existência dos créditos. Em apenas alguns dias, teriam sido registradas centenas de milhares de operações de crédito, mas sem correspondência nos meios tradicionais de pagamento monitorados pelo Banco Central.

Para a PF, a ausência desses registros enfraquece a tese de que as operações seguiram um fluxo financeiro regular. Na prática, qualquer operação de crédito pressupõe algum tipo de liquidação, repasse ou pagamento, ainda que intermediado por terceiros. O fato de não haver Pix, TED, boletos ou operações de câmbio associadas às transações analisadas amplia o grau de suspeita sobre o modelo adotado.

O Banco Central afirmou às autoridades que, especificamente em relação às operações originadas diretamente pelo próprio Master, não havia histórico prévio de irregularidades relevantes. O problema, segundo a autarquia, surge quando entram em cena operações associadas a estruturas externas, no período mais recente, que passaram a ser investigadas com maior profundidade.

Impacto regulatório e próximos passos

O caso Master se tornou um dos episódios mais sensíveis para o sistema financeiro brasileiro nos últimos anos. Além da investigação criminal, o episódio levou à liquidação extrajudicial do banco e abriu questionamentos sobre os mecanismos de supervisão, governança e monitoramento de risco de crédito em operações estruturadas.

Internamente, o Banco Central já instaurou procedimentos de auditoria para avaliar a condução do processo de fiscalização e identificar eventuais falhas na detecção do crescimento acelerado e desordenado das operações do banco. O objetivo, segundo a autoridade monetária, é evitar que estruturas semelhantes voltem a operar sem o devido acompanhamento.

À medida que a investigação avança, a ausência de registros básicos de pagamento tende a ganhar peso tanto na esfera criminal quanto na regulatória, com possíveis desdobramentos para regras de supervisão, exigências de transparência e responsabilidades de instituições envolvidas na originação e distribuição de crédito.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.