O Banco Central aprovou as três aquisições do Banco Master em 2024 enquanto o próprio departamento de supervisão da autarquia emitia ofícios de alerta de liquidez e déficit de capital à instituição. As compras somaram R$ 26 bilhões em novos ativos ao conglomerado de Daniel Vorcaro, segundo relatório técnico do Tribunal de Contas da União. Os chefes do departamento de supervisão responsável pelos alertas são investigados pela Polícia Federal por suposta cooptação.
Aprovações e alertas em paralelo: 2024
| Data | Evento |
|---|---|
| Início mar. 2024 | Desup emite ofício ao Master: corrigir índices de liquidez |
| 26 mar. 2024 | BC aprova compra do Banco Voiter (ex-Indusval) pelo Master |
| 27 mai. 2024 | BC aprova compra da Will Financeira pelo Master |
| 28 mai. 2024 | Desup exige correção de déficit de R$ 885 mi e operações irregulares com Fundo Bravo |
| Ago. 2024 | BC limita captações da Will apenas à rolagem de vencimentos |
Cronologia das aprovações e alertas internos do BC. Fonte: Valor Econômico
A dupla lógica das aprovações
O aval para a compra do Banco Voiter, em 26 de março de 2024, veio pouco mais de duas semanas após o Departamento de Supervisão (Desup) do BC enviar um ofício determinando que o Master corrigisse problemas nos índices de liquidez. A área de Organização do Sistema Financeiro (Deorf), responsável por analisar as compras de bancos, consultou a supervisão sobre o estado do Master antes de decidir. A resposta: com a injeção de capital prevista na própria transação, o enquadramento prudencial estaria resolvido.
O caso da Will Financeira é ainda mais revelador da sincronia entre os dois fluxos. A aprovação saiu em 27 de maio de 2024. No dia seguinte, o Desup enviou novo ofício ao Master exigindo a correção de uma deficiência de capital de R$ 885 milhões e de operações irregulares com o Fundo Bravo, administrado pela Reag. O BC era, naquele momento, comandado por Roberto Campos Neto.
Segundo a apuração do Valor, o Desup repassou à Deorf informações cruciais para as aprovações, argumentando que as aquisições diversificariam o balanço do Master, de atacado para varejo, e melhorariam os índices prudenciais. O raciocínio foi aceito pelas duas instâncias. O Voiter foi transformado em Banco Pleno e liquidado em fevereiro de 2026. A Will Financeira foi liquidada em janeiro do mesmo ano. O Letsbank também não sobreviveu.







