Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

A perda potencial do Banco de Brasília (BRB) com a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pode chegar a R$ 5 bilhões, segundo estimativa apresentada pela área técnica do Banco Central em depoimento à Polícia Federal. A informação foi confirmada por Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização da autarquia, e adiciona uma nova dimensão financeira ao caso que se tornou um dos episódios mais sensíveis da supervisão bancária recente.

De acordo com o depoimento, o Banco Central do Brasil já identificou a necessidade de cerca de R$ 2,7 bilhões em provisões imediatas no BRB, banco controlado pelo governo do Distrito Federal. Além disso, a autoridade monetária avalia determinar mais R$ 2,2 bilhões em ajustes relacionados aos ativos entregues pelo Banco Master ao BRB como forma de compensação pelas carteiras consideradas irregulares.

Perda do BRB no caso Master

O BRB pagou R$ 12,2 bilhões por carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master, posteriormente identificadas como problemáticas e, em parte, inexistentes. Segundo o Banco Central, os ativos eram formalizados por meio de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem lastro financeiro comprovado, o que caracteriza fraude e falhas graves de governança.

No depoimento prestado no fim de 2025, Aquino afirmou que técnicas básicas de auditoria poderiam ter detectado previamente a inexistência dos créditos. Para o BC, a combinação de fragilidades internas no BRB e estruturas artificiais criadas pelo Master contribuiu para que o problema ganhasse escala antes de ser interrompido.

A operação foi desfeita após intervenção do Banco Central, e o Master devolveu valores ao BRB na forma de outros ativos. Esses ativos, porém, seguem sob análise da autoridade monetária, que avalia seu real valor econômico e a necessidade de novas provisões. “A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste”, afirmou Aquino no depoimento, de acordo com o “O Globo“.

Impacto regulatório e investigações

Segundo o diretor de Fiscalização, o Banco Central já tinha conhecimento, desde março de 2025, de problemas nas carteiras negociadas entre as duas instituições. Naquele momento, a autarquia fez questionamentos formais ao BRB e passou a acompanhar a substituição dos ativos.

Em julho, o banco público informou ao BC a internalização de novos ativos, incluindo crédito consignado, cartão benefício, CRIs, FIIs, títulos no exterior, ações e cotas de fundos, como tentativa de compensar as carteiras consideradas inexistentes. Ainda assim, a avaliação técnica indica que os ajustes podem não ser suficientes para cobrir integralmente as perdas.

O caso está sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público, e já chegou ao Supremo Tribunal Federal após decisão do ministro Dias Toffoli. Paralelamente, o Banco Central conduz processos administrativos sancionadores contra o Banco Master e abriu auditoria interna para apurar eventuais falhas na própria condução da fiscalização.

Para o sistema financeiro, o episódio reforça alertas sobre governança, diligência na compra de ativos e limites do uso de estruturas complexas como mecanismo de expansão acelerada. Para o BRB, o impacto financeiro pode se tornar um dos maiores já enfrentados por um banco público estadual.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.