Os jovens de 18 a 34 anos já representam 42,4% das operações de consignado CLT analisadas pela Bull, fintech de consignado privado, mas contratam valores menores e por menos tempo. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (5), olha para os contratos efetivados nos 12 meses encerrados em junho de 2026 e compara o comportamento de quem toma o empréstimo por faixa de idade.
Bull · consignado CLT por faixa de idade
Entre 18 e 24 anos, o valor médio é metade do de 45 a 54
Ticket médio por contrato, em contratos efetivados nos 12 meses encerrados em junho de 2026

Base de contratos efetivados analisados pela Bull, não pesquisa de opinião. Fonte: levantamento da Bull (05/10/2026). Arte: Let’s Money.
Valor e prazo menores entre os mais jovens
Na faixa de 18 a 24 anos, o ticket médio, que é o valor médio por contrato, fica em R$ 1.661. É cerca de metade do registrado entre trabalhadores de 45 a 54 anos, de R$ 3.303. O prazo segue a mesma lógica: entre os mais jovens, gira em torno de 12 meses, enquanto nas faixas acima de 45 anos vai de 18 a 24 meses.
No consignado CLT, a parcela é descontada direto do salário do trabalhador com carteira assinada, e o crédito com garantia de salário vem em alta. O levantamento da Bull separa por faixa de idade os contratos que a fintech analisou.
Como funciona o consignado CLT
No consignado CLT, também chamado de consignado privado, o trabalhador com carteira assinada toma o empréstimo e as parcelas são descontadas direto da folha de pagamento. Como a parcela sai antes de o salário cair na conta, o risco para quem empresta é menor, o que costuma se refletir em juros abaixo dos cobrados em linhas sem garantia, como o crédito pessoal. A contratação ficou mais simples com o programa federal Crédito do Trabalhador, que permite receber propostas de bancos e fintechs pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital.
É nesse mercado que a Bull atua. Em setembro, a fintech fechou uma rodada seed liderada pelos fundos Maya e Caravela, com participação da Canary, que havia liderado a captação anterior. O levantamento sobre o perfil dos tomadores usa a base de contratos efetivados no período, e não uma pesquisa de opinião com trabalhadores.
Pouco tempo de casa
O tempo no emprego atual também separa os grupos. No total da base analisada, 55,3% dos tomadores trabalham há menos de três anos na empresa atual. Entre os trabalhadores de 18 a 24 anos, a fatia chega a 87%.
Bull · tempo no emprego atual
87% dos tomadores de 18 a 24 anos têm menos de três anos de casa
Tomadores de consignado CLT há menos de três anos no emprego atual, em %

Fonte: levantamento da Bull (05/10/2026). Arte: Let’s Money.
Para a Bull, os números ajudam a discutir como diferentes gerações estão usando o consignado CLT. Entre os mais jovens, o padrão que aparece é de operações menores, mais curtas e com menor comprometimento relativo da renda. Comprometimento relativo da renda é a fatia do salário que a parcela consome todo mês. O material divulgado não traz esse percentual por faixa de idade.
O que observar
O recorte interessa a quem acompanha o crédito para trabalhadores com carteira assinada, porque mostra o perfil de quem contratou na base analisada no levantamento: jovens com pouco tempo no emprego atual e contratos de valor e prazo menores. Daqui para a frente, vale acompanhar se o levantamento ganha novas edições, com outras janelas de 12 meses, e se a fatia de 18 a 34 anos, hoje em 42,4% das operações, se mantém nesse patamar.
Fontes: Let’s Money: Bull capta rodada seed • Let’s Money: crédito com garantia de salário