A Zup, empresa brasileira de tecnologia do grupo Itaú Unibanco, passou a ter a B3 como cliente. A parceria abre uma frente de trabalho conjunta para desenvolver soluções tecnológicas de integração ao ecossistema de duplicatas escriturais, e a Zup fica responsável pela arquitetura que conecta a bolsa brasileira a esse novo trilho de crédito digital.
A frente se insere em um mercado grande: estima-se que o crédito lastreado em duplicatas escriturais no Brasil tenha um potencial de cerca de R$ 10 trilhões, espaço que segue em expansão à medida que o registro eletrônico vira padrão.
Duplicatas escriturais · mercado potencial
Crédito lastreado em duplicatas escriturais pode chegar a R$ 10 trilhões
Estimativa do mercado potencial no Brasil citada no release da Zup e da B3

Valor estimado, sem prazo informado. Fonte: release da Zup e da B3 (05/10/2026). Arte: Let’s Money.
Da duplicata em papel ao registro eletrônico
A duplicata é emitida sempre que uma empresa vende a prazo, o que faz dela um dos pilares do crédito comercial no país. Nos últimos anos, o título deixou de ser um documento em papel, sujeito a fraudes e à lentidão dos cartórios, e passou a ser um registro eletrônico único e rastreável. A validade jurídica é dada por escrituradoras autorizadas pelo Banco Central, e a B3 é uma delas. O Banco Central estreou a duplicata escritural neste ano, e o Inter fez seu primeiro teste de duplicata escritural.
O que cabe à Zup e o que cabe à B3
Na divisão do trabalho, a Zup vai acelerar a arquitetura tecnológica que liga a B3 ao trilho de crédito digital, de forma escalável e resiliente, com infraestrutura orientada a eventos e foco em segurança e conformidade regulatória. A empresa, que já virou parceira da Anthropic em IA corporativa, se apresenta como especialista em engenharia de software e IA generativa para grandes empresas.
“Estamos construindo, ao lado da B3, um novo trilho de crédito para o país. Duplicatas escriturais são infraestrutura de mercado, e infraestrutura de mercado exige tecnologia de ponta, resiliente e segura. É esse o compromisso da Zup nessa parceria”, afirma André Palma, CEO da Zup.
Líder no registro de duplicata mercantil, a B3 passa a atuar como registradora e escrituradora de duplicata escritural. A bolsa, com mais de 130 anos, oferece aos clientes uma jornada personalizada de adaptação ao novo modelo, com a proposta de reduzir impactos operacionais e respeitar o nível de maturidade de cada instituição.
Roberta Fortunato, superintendente de duplicata escritural da B3, diz que a bolsa já oferece uma esteira completa para negociar esses títulos, do registro à liquidação. “[…] a parceria com a Zup amplia nossa capacidade de operar e evoluir essa infraestrutura. Nossa prioridade é oferecer segurança, eficiência e confiabilidade para o mercado e gerar valor aos nossos clientes para além das exigências regulatórias”, afirma.
O que observar
A frente interessa a instituições financeiras que vão registrar e negociar duplicatas escriturais e às empresas que vendem a prazo e usam esses títulos como garantia de crédito. Daqui para a frente, vale acompanhar como as instituições se adaptam ao registro eletrônico e quanto do mercado potencial estimado passa a circular por esse trilho.
Fontes: Let’s Money: BC estreia duplicata escritural • Let’s Money: Inter faz primeiro teste de duplicata escritural • Let’s Money: Zup, do Itaú, vira parceira da Anthropic