Foto: Divulgação
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A fintech brasileira Agibank protocolou o pedido para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos, em um movimento que marca a retomada de seus planos de abertura de capital após um período de incerteza regulatória. Segundo fontes ouvidas pela “Bloomberg“, a companhia pretende captar cerca de US$ 1 bilhão na listagem, que deve ocorrer na NYSE.

O pedido foi apresentado poucos dias depois de a fintech obter autorização para retomar a concessão de crédito consignado a aposentados, um de seus principais produtos. A liberação veio após decisão do INSS, publicada no Diário Oficial da União, que removeu o principal entrave que havia colocado em risco o cronograma do IPO.

A reversão do cenário acontece após o próprio INSS ter suspendido, em dezembro, a concessão de novos empréstimos consignados do Agibank, citando “irregularidades graves”. À época, o episódio levantou dúvidas relevantes no mercado sobre a viabilidade da oferta. Com a autorização em mãos, a companhia voltou a avançar com a operação, sinalizando ao mercado que o risco regulatório foi, ao menos por ora, equacionado.

Virada do Agibank

Fundado por Marciano Testa no início dos anos 2000, o Agibank foi avaliado em R$ 9,3 bilhões na última rodada de investimentos, realizada em dezembro de 2024. Na ocasião, a fintech recebeu aportes relevantes de fundos brasileiros, incluindo a Lumina Capital Management, fundada por Daniel Goldberg, ex-executivo do Morgan Stanley, que passou a integrar o conselho da empresa.

O banco digital também conta com investimentos do Vinci Partners, que aportou capital na companhia em 2020. O modelo de negócio do Agibank combina uma plataforma digital com cerca de 1.100 “smart hubs” físicos, voltados principalmente para clientes fora dos grandes centros urbanos.

Os números operacionais reforçam a tese apresentada aos investidores. Em setembro, a fintech contabilizava 6,4 milhões de clientes ativos, alta de 77,2% em relação ao ano anterior. No mesmo período, registrou lucro líquido de R$ 1,1 bilhão nos últimos 12 meses, com retorno sobre patrimônio médio (ROAE) de 40,9%, um indicador que chama atenção em meio a um mercado mais seletivo para fintechs.

Janela rara para fintechs brasileiras

O IPO do Agibank ocorre em um momento ainda raro para empresas brasileiras. O mercado de capitais segue praticamente fechado para novas ofertas desde 2021, quando a Nu Holdings abriu capital nos Estados Unidos. Neste mês, apenas duas fintechs brasileiras deram entrada formal em pedidos de IPO no país: o Agibank e o PicPay.

A operação do Agibank será liderada pelo Goldman Sachs, com participação de Morgan Stanley, além de bancos como BTG Pactual, Itaú BBA, Bradesco BBI, Santander e XP.

Ao destravar o IPO após o aval do INSS, o Agibank tenta transformar um episódio de risco regulatório em um ponto de inflexão, e testar se o apetite do investidor internacional por fintechs brasileiras começa, de fato, a voltar.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.