
A fintech Pana, fundada por empreendedores dominicanos, anunciou o lançamento do Pana Global Card, um cartão internacional criado para funcionar como alternativa ao modelo tradicional de remessas entre os Estados Unidos e a América Latina.
A proposta da empresa é substituir o envio de dinheiro, historicamente marcado por taxas elevadas, prazos longos e dependência de agentes físicos, por um modelo de acesso direto a saldo global, disponível para uso quase imediato nos países latino-americanos.
Com o novo cartão, valores depositados ou recebidos nos Estados Unidos podem ser utilizados na América Latina em questão de segundos, geralmente em menos de um minuto, sem que o usuário precise realizar uma transferência formal.
Segundo a empresa, a experiência elimina etapas comuns do setor de remessas, como envio manual, saque em dinheiro ou retirada em pontos físicos.
Fintech com infraestrutura baseada em stablecoins
Por trás da experiência simplificada, a Pana opera uma infraestrutura que integra sistema bancário americano, stablecoins, blockchain e inteligência artificial em um único livro-razão. O fluxo financeiro ocorre de forma automática, convertendo recursos entre dólar, ativos digitais e moeda local conforme a necessidade da transação.
A fintech afirma que toda a complexidade tecnológica fica invisível para o usuário final, que apenas visualiza o saldo disponível e utiliza o cartão normalmente.
Ataque a um mercado bilionário
O lançamento mira um dos maiores fluxos financeiros do mundo. As remessas para a América Latina movimentam cerca de US$ 150 bilhões por ano, sendo uma parcela relevante ainda baseada em dinheiro físico.
De acordo com a Pana, sua rede já conecta 35 países, integra milhares de bancos na região e conta com centenas de milhares de pontos de acesso entre EUA e América Latina. O objetivo é digitalizar esse fluxo e reduzir custos operacionais do processo.
Além das remessas tradicionais
Além do público que envia recursos para familiares, a fintech também mira freelancers, criadores de conteúdo e profissionais latino-americanos que recebem renda do exterior. Com o cartão global, esses usuários podem receber pagamentos nos Estados Unidos, transferir para contas locais ou gastar diretamente em diferentes países.
Para a empresa, o movimento representa uma mudança estrutural no setor. Em vez de transferências pontuais, o modelo passa a tratar o dinheiro como um saldo global contínuo, apoiado por ativos digitais.
O avanço reforça o papel das stablecoins como camada de liquidação no sistema financeiro internacional e amplia a pressão competitiva sobre empresas tradicionais de remessas, que ainda operam com estruturas mais lentas e custosas.