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Revolut prevê levar clientes elegíveis a techs fora da bolsa

Plataforma feita com a gestora Carne Group vai abrir a clientes elegíveis da fintech empresas de tecnologia fora da bolsa; estreia prevista para 2027.

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· 3 min

brunocoelho / Shutterstock.com

A Revolut anunciou a Revolut Ventures, plataforma de venture capital que vai deixar clientes elegíveis investir em empresas de tecnologia de capital fechado sem sair do app. O produto, montado com a gestora Carne Group, tem estreia prevista para 2027, segundo o Jornal Económico.

Hoje, quem investe pelo aplicativo da fintech encontra ações, ETFs, títulos de dívida (as obrigações) e fundos de money market. A Ventures entra como mais uma prateleira, voltada a negócios privados em fase de crescimento, uma classe até aqui frequentada sobretudo por institucionais e clientes de grande patrimônio.

“Com a Revolut Ventures, pretendemos derrubar uma das últimas barreiras na gestão de património: a exclusão dos investidores de retalho das empresas não cotadas”, disse Rolandas Juteika, responsável pela área de Wealth and Trading da Revolut no Espaço Económico Europeu.

Os números que a Revolut usa para defender o produto

A fintech apoia o lançamento em duas séries. Pelos dados que ela cita, uma companhia levava em 2025 uma mediana de 11 anos até a listagem; em 2014, eram 6,9 anos. A outra vem do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA: o país fechou 2025 com 3.900 empresas listadas, ante cerca de 7.000 no ano 2000.

Revolut · dados citados no anúncio

Empresas demoram mais a abrir capital, e a bolsa dos EUA encolheu

Mediana do tempo até a listagem e número de empresas listadas nos EUA

Dados citados pela Revolut: a mediana do tempo até a listagem em bolsa subiu de 6,9 anos em 2014 para 11 anos em 2025, e o número de empresas listadas nos Estados Unidos caiu de cerca de 7.000 em 2000 para 3.900 em 2025, segundo dados do Federal Reserve.

Fonte: dados citados pela Revolut (Federal Reserve, no caso das listadas), publicados pelo Jornal Económico (26/10/2026). Arte: Let’s Money.

Para Juteika, a geração de valor costuma se concentrar na fase anterior ao IPO, e a plataforma pode levar o investidor do app até companhias com potencial de expansão. A Revolut também ressalva que participações em empresas privadas têm liquidez menor que a de papéis negociados em bolsa e trazem risco relevante de perda do capital investido.

Quem monta o fundo e o que veio antes

A Ventures terá três peças de fora da Revolut, cada uma com um papel definido.

Quem faz o quê na Revolut Ventures

Empresa Papel
Carne Group Gestora de fundos de investimento alternativos
Alter Domus Administração do fundo
BNY Custódia e depositário

Estrutura anunciada pela Revolut. Fonte: Jornal Económico

O passo anterior foi dado em julho de 2026, quando a Revolut abriu em algumas jurisdições europeias a linha de Mercados Privados. Ali, o cliente acessa fundos de Apollo, Ares, Hamilton Lane e Partners Group, estruturados no regime europeu ELTIF 2.0, com janelas periódicas de resgate e resgate não garantido. Na ocasião, a empresa lembrou que esse tipo de ativo exigia com frequência aplicação mínima acima de € 100 mil.

A investida em patrimônio vem de antes: no Reino Unido, a Revolut mira private banking para clientes com £ 500 mil.

A própria Revolut, que diz somar mais de 80 milhões de clientes, ainda não tem ações em bolsa e estuda dupla listagem em Nova York e Londres.

O que observar

A pergunta para 2027 é como plataformas de investimento de varejo vão traduzir o risco de iliquidez na tela: quais critérios definem o cliente elegível, qual o valor mínimo de entrada e como funcionarão os resgates num ativo que não tem preço diário.

Vale acompanhar também o papel das gestoras de fundos alternativos nesse arranjo. Se o modelo de distribuição pelo app ganhar escala, a disputa pode se deslocar para quem consegue selecionar as empresas e dar ao investidor comum informação comparável à que recebe hoje o institucional.

Fontes: Jornal Económico • Revolut • Let’s Money

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