A Avenue ficou conhecida como a plataforma que levou o investidor brasileiro à bolsa dos Estados Unidos. No estúdio montado pela 180 Seguros na Febraban Tech 2026, no Distrito Anhembi, o diretor de Banking da companhia descreveu uma empresa que hoje disputa outro território: o do dinheiro que o cliente movimenta na rotina.
Antes, o câmbio rodava dentro de uma distribuidora de títulos e valores mobiliários, formato que impunha restrições inclusive de valor por transação. “Enquanto o banco ia operando o câmbio, que é super importante na nossa jornada, como banco de investimento agora a Avenue pode fazer absolutamente tudo”, afirmou o executivo. “Qualquer valor de operação, volume de operação, então esse é o primeiro uso.”
A estrutura combina licenças nos dois países: distribuidora no Brasil, corretora e prestadora de serviços de pagamento nos Estados Unidos, com autorizações estaduais. Segundo Cesário, a companhia participou da construção das regras que permitiram a categoria operar no Brasil, entre 2018 e 2019.
A trajetória contada no episódio
Quando
Marco
2018 e 2019
Participação na construção das regras que permitiram a categoria operar no Brasil
Meio de 2025
Primeira plataforma brasileira a oferecer ETFs sediados na Irlanda, segundo o executivo
Fim de 2025
Passou a oferecer stablecoin lastreada em dólar, com expansão no início de 2026
Dezembro de 2025
Autorização do Banco Central para operar como banco de investimento
Médio prazo
Crédito em dólar para imóvel, estudo e outros bens
Marcos citados por Fernando Cesário em entrevista ao 180Cast; a data da licença é do NeoFeed.
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A conta em dólar deixa o cofre
O uso tem sazonalidade clara, com julho e janeiro concentrando movimento por causa das viagens internacionais. A comparação que o executivo trouxe, porém, é anual. “Olhando o nosso período contra período, 12 meses, a gente chegou bem perto de dobrar o volume”, disse, sobre a operação de banking.
“A gente quer fazer crédito. A gente quer fazer crédito para fechar jornadas que a gente já vê acontecendo”, afirmou Cesário. As jornadas são as que a base já vive: aquisição de imóvel no exterior, crédito estudantil e compra de outros bens em dólar. O horizonte declarado é de médio prazo, sem produto anunciado.
Sobre proteção, o executivo disse haver iniciativas em desenvolvimento, sem produto, parceiro ou data. E ancorou a estratégia numa tese mais ampla: “Uma economia que consegue ter um percentual relevante de ativos das pessoas […] em moeda forte, é uma economia mais resiliente, no limite, ela fica mais resiliente a ciclos de turbulência internos.”
O que observar
Plataformas que nasceram para investimento internacional estão pedindo licenças bancárias para transformar saldo parado em transação recorrente, e o câmbio é o primeiro produto a sentir. Para quem opera contas globais, o ponto de atenção passa a ser o crédito: emprestar em moeda forte a residente brasileiro cruza duas jurisdições e dois reguladores, e é aí que se vê quem tem estrutura para sustentar a operação. Quem distribui serviços financeiros deve observar quais dessas jornadas ganham produto de proteção antes das outras.