
A expansão das fintechs na América Latina está entrando em uma nova fase, em que crescer rápido já não basta. Compliance, verificação de identidade e aderência regulatória passaram a ser fatores centrais para destravar escala, especialmente em mercados como o brasileiro, onde o escrutínio regulatório aumentou.
Nesse contexto, parcerias entre fintechs e provedores de infraestrutura de KYC (Know Your Customer) e AML (prevenção à lavagem de dinheiro) têm se tornado estratégicas. A lógica é clara: reduzir fricção no cadastro de usuários, elevar taxas de aprovação de clientes legítimos e, ao mesmo tempo, atender às exigências de autoridades locais.
A Sumsub, provedora global de verificação de ciclo completo e compliance escalável, está anunciando uma parceria com a belo, fintech que oferece uma solução global de carteira digital para transferências de criptomoedas, stablecoins e moeda fiduciária, com foco principal na América Latina.
O objetivo é garantir o atendimento a normas governamentais locais e agilizar o processo de cadastro de usuários, apoiando o crescimento rápido da plataforma.
A movimentação reflete uma mudança estrutural no setor. Se, nos primeiros anos, o foco das fintechs estava em experiência do usuário e crescimento acelerado, agora o jogo passa por credibilidade institucional. Entrar e permanecer em mercados como Brasil, México e Argentina exige processos robustos de verificação, monitoramento e gestão de risco.
Compliance deixa de ser custo e vira vantagem competitiva
Dados do setor mostram que soluções automatizadas de compliance podem reduzir custos operacionais em até 40%, além de encurtar o tempo de onboarding para poucos segundos. Em um ambiente competitivo, isso significa crescer sem sacrificar margem, algo cada vez mais raro no ecossistema.
Além disso, a integração de tecnologias baseadas em IA para verificação de identidade ajuda a elevar taxas de aprovação próximas a 99%, um diferencial relevante em mercados com alto índice de informalidade e tentativas de fraude.
O avanço de regras de supervisão sobre fintechs, criptoativos e instituições de pagamento na América Latina, especialmente no Brasil, torna esse tipo de movimento quase inevitável. Para reguladores, o objetivo é reduzir riscos sistêmicos e crimes financeiros. Para as fintechs, a saída é incorporar compliance à estratégia de crescimento, e não tratá-lo apenas como obrigação.