O Inter informou em 8 de outubro que sua base de empresas clientes chegou a 3 milhões, e o dado que dá peso ao marco vem junto: pelas contas do próprio banco, essas empresas já fazem acima de 50% de todas as transações da instituição. Com a escala montada, o Inter Empresas diz que o foco passa a ser ganhar espaço no dia a dia financeiro de cada negócio.
Dois anos para cada novo milhão de clientes PJ
A conta empresarial digital do Inter começou em 2017, aberta apenas a convidados. Depois vieram a conta para MEI e outros produtos, mas a base só cruzou 1 milhão de CNPJs em 2022, mesmo ano em que o banco estreou seu Super App Inter Empresas. A marca de 2 milhões veio em 2024 e a de 3 milhões agora: foram cinco anos até o primeiro milhão e cerca de dois anos para cada um dos seguintes.
Inter Empresas · clientes PJ
Cinco anos até o primeiro milhão; dois para cada um dos seguintes
Marcos da base de clientes pessoa jurídica do Inter, segundo o banco

Datas e marcos informados pelo banco. Fonte: Inter (08/10/2026). Arte: Let’s Money.
Segundo o banco, a operação PJ cobre cerca de 95% das cidades do país, num grupo cuja base total passa de 45 milhões no mundo. O comunicado não detalha o que entra na conta das transações empresariais (Pix, boletos, cartão ou folha), nem a data de referência do percentual.
Da conta digital à disputa pela conta principal
A palavra que o Inter usa para a nova fase é principalidade. Hoje o Inter Empresas reúne pagamentos e recebimentos, controle do fluxo de caixa, crédito e investimentos, e o plano descrito é calibrar essa oferta por perfil e estágio de cada negócio, sem meta numérica nem prazo.
“Chegar a 3 milhões de clientes mostra a escala que construímos, mas o nosso objetivo vai além de crescer a base. Queremos aprofundar nossa relação com esses empreendedores e estar cada vez mais presentes na vida financeira dos seus negócios”, afirmou Alexandre Riccio, CEO Brasil do Inter. Em outra fala, ele resumiu a tarefa: “Nosso desafio agora é transformar essa escala em uma relação cada vez mais profunda, relevante e recorrente.”
O anúncio coincidiu com a Semana do Empreendedor, que o Inter promove desde 2023 e que neste ano foi da segunda-feira, 5, à sexta-feira, 9 de outubro, com curso feito com o Sebrae.
O tamanho do mercado em disputa
O Nubank, em comunicado de 18 de maio de 2026, informou ter batido 6 milhões de empresas na base e se declarou a instituição com mais CNPJs registrados no país, como o Let’s Money mostrou quando o Nubank alcançou 6 milhões de clientes PJ. As contagens são de datas diferentes e uma empresa pode ter conta em mais de um banco, então os números não viram fatia de mercado.
Como régua, o Mapa de Empresas do governo federal, citado pela Fenacon, contava 24,2 milhões de negócios ativos no país ao fim de agosto de 2025, 12,6 milhões deles MEIs. E o canal mudou: o celular concentrou a maior parte das transações de empresas em 2025, segundo a Febraban.
O que observar
A pergunta central é quanto do volume empresarial vira receita. Falta saber se as transações vêm de recebimento de vendas, que prende o caixa da empresa ao banco, ou de pagamentos avulsos, que mudam de instituição com facilidade. Para bancos digitais com grande base PJ, é esse dado que separa conta principal de conta secundária.
Vale acompanhar também a composição da base. Com os MEIs somando mais da metade das empresas ativas do país, uma carteira puxada por microempreendedores tende a ter tíquete e demanda de crédito menores, e os próximos balanços podem mostrar se o crédito para empresas cresce no passo das contas.
Fontes: Inter • Nubank • Fenacon