
Se o Nubank se consolidou como uma das fintechs mais valiosas e bem-sucedidas do mundo, a disputa pelo protagonismo global está longe de ser exclusiva. A britânica Revolut vem acelerando sua expansão internacional e começa a cruzar, cada vez mais, o caminho do “roxinho” em mercados estratégicos fora do Brasil.
A pergunta que surge é inevitável: a Revolut representa uma ameaça real ao Nubank?
A movimentação mais recente da Revolut ajuda a explicar por que essa comparação ganhou força. Em outubro, a fintech britânica recebeu autorização para operar como banco no México e na Colômbia, dois mercados-chave para a estratégia internacional do Nubank, que vê na América Latina sua principal avenida de crescimento fora do Brasil.
Além disso, os Estados Unidos também estão no radar da Revolut. Segundo a Reuters, a empresa chegou a avaliar a compra de um banco local como forma de acelerar sua entrada no mercado americano. O Nubank, por sua vez, também solicitou licença bancária nos EUA, mas analistas estimam que o processo pode levar cerca de três anos até uma eventual autorização.
O resultado é um cenário em que as duas fintechs passam a disputar não apenas clientes, mas prioridade estratégica, capital e relevância global.
Nubank x Revolut
Em números absolutos, a Revolut já opera em cerca de 40 países e soma aproximadamente 65 milhões de clientes globais, um dado que, segundo a própria empresa, cresce rapidamente. De acordo com Glauber Mota, CEO da operação brasileira da Revolut, a fintech adiciona cerca de 1 milhão de novos clientes a cada 17 dias.
Mesmo sem ter aberto capital, a empresa já foi avaliada em cerca de US$ 75 bilhões, valor muito próximo ao market cap do Nubank, estimado em torno de US$ 77 bilhões. Apesar da comparação frequente, Mota evita tratar o Nubank como concorrente direto. Para ele, a diferença está no DNA do negócio.
“O Nubank é extremamente forte no Brasil e na América Latina. A Revolut nasceu global. Atuamos em mais de 40 países, com uma plataforma construída de forma nativa para operar internacionalmente”, afirmou em entrevista ao Money Times.
Enquanto o Nubank construiu escala a partir de um mercado doméstico gigante, a Revolut aposta em produtos pensados globalmente e adaptados localmente, o que facilita a replicação em novos países.
Brasil entra no radar, mas não é o único foco
Mesmo com a expansão global, o Brasil aparece como um mercado estratégico para a Revolut. Segundo o executivo, o país reúne uma combinação rara: alto grau de digitalização, consumidores abertos a testar novas soluções e um ecossistema competitivo, com mais de 2 mil fintechs em operação.
Ainda assim, a lógica interna da empresa é clara: a prioridade vem do desempenho financeiro. “Nosso foco não é bater concorrentes locais, mas provar que cada cliente brasileiro tem um unit economics saudável. Se o Brasil performa melhor que a média global, ganha prioridade”, explica Mota.
Essa filosofia ajuda a entender decisões como a redução do spread de câmbio no país. Mesmo sem pressão competitiva direta, a Revolut optou por baixar taxas após ganhos de eficiência operacional, dividindo margens com o cliente para reforçar sua proposta de valor.
Modelos diferentes, disputa inevitável
Na prática, Revolut e Nubank representam dois caminhos distintos para a construção de um banco digital global. De um lado, uma fintech latino-americana que parte de mercados emergentes para ganhar escala internacional. Do outro, uma plataforma financeira nativamente global, que busca adaptar produtos a diferentes realidades locais.
A sobreposição de mercados, como América Latina, Estados Unidos e, no futuro, outros polos financeiros, torna a disputa cada vez mais inevitável. Não se trata de uma concorrência direta no curto prazo, mas de uma competição por relevância, eficiência e protagonismo no sistema financeiro global.
Para o Nubank, o desafio será manter sua força regional enquanto acelera a expansão internacional. Para a Revolut, a missão é provar que seu modelo global consegue capturar valor de forma sustentável em mercados complexos como o brasileiro.