A Duco, fornecedora de software de conciliação para instituições financeiras, informou nesta terça-feira (29) que um grupo de 12 clientes, entre eles BBVA e CIBC Mellon, reduziu em média 76% o tempo dedicado ao trabalho manual de conciliação ao testar, em produção, os agentes de IA da empresa. Os números são dos próprios participantes, divulgados pela Duco, e o comunicado não detalha a metodologia.
Quanto tempo os 12 clientes dizem ter economizado
Atividade de conciliação
Redução de tempo
Tarefas manuais, no total (média do grupo)
76%
Construção de processos
Mais de 91%
Otimização de processos
84%
Gestão do fluxo de divergências e investigação
Mais de 73%
Resultados autodeclarados do programa Pacesetters, com 12 clientes. Fonte: Duco
O que os agentes fazem na conciliação
Conciliação é a checagem de que os registros de uma operação batem entre sistemas e contrapartes depois da negociação, o chamado pós-negociação. Quando não batem, surge uma divergência que alguém precisa investigar. Pela descrição da própria Duco, o agentic workspace é um espaço dentro da plataforma em que o usuário trabalha junto com agentes para montar, ajustar e administrar esses processos de conciliação.
Os agentes operam em cima do motor de conciliação por regras que a empresa já oferece. O cliente pode usá-los pela interface da Duco ou conectar os próprios agentes pelo MCP, protocolo que liga assistentes de IA a sistemas externos, sem passar pela tela da empresa, no modelo headless. A ferramenta foi apresentada em novembro de 2025 e agora está aberta a clientes novos e atuais.
“A plataforma comprovada da Duco, baseada em regras, mantém os processos de dados previsíveis, repetíveis e transparentes, enquanto a IA agêntica determina o que precisa ser feito e age”, disse Christian Nentwich, CEO da Duco, em tradução livre. Para ele, “os departamentos de operações vão passar de um trabalho pesado, baseado em tarefas, para principalmente a tomada de decisão em pouco tempo, usando IA agêntica”.
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Quem entrou no teste
O programa, batizado de Pacesetters, começou em junho de 2026 com um grupo selecionado de clientes. Além de BBVA e CIBC Mellon, o comunicado cita a Blackstone Credit & Insurance entre os participantes, sem nomear os demais. Para dimensionar a amostra, a Duco afirma em seu site já ter ajudado mais de 200 clientes do setor financeiro a automatizar trabalho manual no pós-negociação.
“Ao combinar conhecimento operacional com capacidades agênticas, vemos uma oportunidade de reduzir o tempo gasto com atividade manual e dar às equipes mais capacidade para se concentrar em resolução de problemas, tomada de decisão e melhoria contínua”, disse Jeremy Hulme, do CIBC Mellon, em tradução livre.
Os 76% vêm de um grupo pequeno, selecionado e medido pelos próprios participantes, sem metodologia pública. A pergunta é se a economia se repete quando a ferramenta sair do círculo de testes e chegar a operações com volumes, formatos de arquivo e regras de negócio menos controlados. Construir e ajustar processos, as etapas com os maiores ganhos, tende a ser trabalho pontual; a investigação de divergências é o custo que se repete todo dia.
Também vale acompanhar a governança. Conciliação é um dos registros que auditores e supervisores inspecionam, e o acesso por agentes do próprio cliente, via MCP, espalha a decisão por mais de um sistema. Instituições financeiras e custodiantes terão de definir até onde o agente age sozinho e que trilha de evidência cada ajuste precisa deixar.