Agentes de IA que consultam bancos pelas APIs de open finance já informam tarifa errada a clientes e, em testes, nem sempre recusam mostrar o saldo de outra pessoa. O alerta veio de um painel do Money20/20 USA, em Las Vegas, no domingo (18).
Falaram David O’Neill, COO da APIContext, que monitora APIs de grandes bancos, e Jean Paul LaClair, vice-presidente sênior de produto e tecnologia da Financial Data Exchange (FDX), órgão de padrões técnicos de compartilhamento de dados nos EUA e no Canadá com cerca de 200 organizações associadas.
Segundo LaClair, a consulta pública da FDX sobre agentes de IA, aberta neste ano, recebeu respostas de mais de 30 organizações, somando mais de 500 páginas. O tema comum, disse, é a busca de um caminho governado de acesso aos dados. A FDX prevê novos padrões ou guias para o uso de agentes nos próximos meses.
Agentes de IA · open finance
Onde os agentes de IA erraram, segundo o painel
| Situação | O que deveria ocorrer | O que ocorreu |
|---|---|---|
| Consulta de tarifa | Valor cobrado pelo banco | “Grátis” ou valor aleatório |
| Saldo pedido com falsa procuração | Recusa, sempre | Nem sempre recusou |
| Saldo disponível | Seguir a definição de cada instituição | Agente deduz e pode gerar cheque especial |
Tarifa e procuração: testes da APIContext relatados por David O’Neill. Saldo disponível: risco descrito por Jean Paul LaClair, da FDX. Fonte: Money20/20 USA. Arte: Let’s Money.
Tarifa errada e saldo para quem não devia
Para O’Neill, as APIs são as mesmas; mudou o uso que os agentes fazem delas. Num dos testes de monitoramento da APIContext, alguém diz ter procuração de um cliente e pede o saldo dele. A resposta deveria ser sempre não, e nem sempre é. “Há um mundo de diferença entre comer uma lasanha muito ruim num restaurante e transferir US$ 5.000 para alguém em outro país”, disse ele (em tradução livre).
Os primeiros testes pedidos por clientes da empresa, há cerca de um ano, foram de tarifas. Os agentes muitas vezes diziam que o serviço era grátis ou davam um valor aleatório, o que gera risco no atendimento e, em muitos países, multa. LaClair lembrou que cada instituição define saldo disponível de um jeito, e o agente que deduz errado pode gerar cheque especial ou transação recusada.










