Executivo do HSBC vê IA mudando trading em 2 a 4 anos
Michael Roberts vê agentes de IA com computação quântica operando títulos, com humanos no circuito, e mudança na forma de negociar em dois a quatro anos.
Agentes de inteligência artificial apoiados em computação quântica poderão negociar títulos nos mercados, na previsão de Michael Roberts, chefe de Corporate and Institutional Banking, a divisão global de banco de investimento do HSBC. Em entrevista à Bloomberg TV, reproduzida pelo Valor em 15/10/2026, ele disse que as pessoas continuarão supervisionando as operações e deu um horizonte de dois a quatro anos para a virada na forma de negociar.
“Acho que a computação quântica será capaz de analisar movimentos de mercado muito complexos e, com o avanço da IA, que tornará isso ainda mais rápido, poderemos ver agentes negociando títulos com o uso de computação quântica”, afirmou Roberts, para quem esse é o futuro.
Agentes no trading, com pessoas supervisionando
Roberts falou em Bangkok, onde o FMI faz seu encontro anual deste ano. Na visão do executivo, uma fatia crescente do trading algorítmico passará às mãos dos agentes, sem que as equipes humanas saiam da cadeia de decisão. Para ele, as pessoas precisam continuar participando do processo.
Roberts amarra três frentes na mesma previsão: IA, computação quântica e registro distribuído (DLT, na sigla em inglês). Com elas, disse, os próximos dois a quatro anos “vão mudar fundamentalmente a forma como vemos o ritmo, a velocidade e o alcance do que negociamos”.
Como outros grandes bancos, o HSBC estuda levar IA a todas as linhas de negócio, o que passa por automatizar tarefas e reduzir pessoal. Segundo o Valor, a Bloomberg News publicou neste ano que a instituição pode eliminar perto de 10% dos empregos no mundo com a adoção de IA, algo em torno de 20 mil vagas.
Na ponta do crédito, Roberts enxerga bancos e investidores mais rigorosos diante do ritmo de captação das empresas de IA, cobrando retorno maior para bancar a expansão. “Acho que existe uma dose saudável de ceticismo”, afirmou. “Os credores vão se concentrar muito mais em retornos adequados, estruturas adequadas e aspectos desse tipo.” Para ele, negócios desse tamanho são, por definição, mais complicados de fechar.
Os juros também jogam contra: a remuneração dos papéis de dívida pelo mundo está no pico de várias décadas, o que encarece o dinheiro destinado a erguer a infraestrutura de IA. Só na Ásia, a PwC projeta que essa conta pode chegar a US$ 8,2 trilhões até 2050, segundo o Valor. Nas bolsas, o dia era de baixa, puxada pela queda dos papéis de empresas de semicondutores.
O que observar
A primeira pergunta é de responsabilidade. Se um agente executa a ordem e o operador só supervisiona, vale acompanhar como mesas de renda fixa vão registrar e auditar decisões tomadas em velocidade de máquina, e como reguladores de mercado vão tratar ordens geradas por software autônomo.
A segunda é de calendário. O prazo de dois a quatro anos é leitura do executivo, e não cronograma anunciado pelo banco. O teste será ver se bancos de investimento passam a divulgar pilotos com agentes em títulos, com que limites de risco e com quanta presença humana no processo.