A Marble, startup francesa que vende a bancos, fintechs e provedores de pagamento um software de código aberto contra fraudes e lavagem de dinheiro, captou € 6,5 milhões numa rodada série A. Com o aporte, o total levantado chega a € 9 milhões, e a empresa diz que o dinheiro vai para automatizar o compliance com inteligência artificial.
A Smartfin liderou a rodada. Pelo comunicado da Marble, a Adnexus entrou como participante, enquanto Passion Capital, 42Capital e Hexa, que já estavam no capital da startup, ampliaram o apoio.
Hoje, o produto da Marble permite que as próprias áreas de risco e de compliance escrevam as regras que disparam alertas, testem essas regras e as coloquem para rodar, sem esperar a fila de TI. A nova fase, segundo a Finextra, leva a IA para três pontos desse fluxo: a criação das regras, a triagem dos alertas e a investigação dos casos suspeitos.
No comunicado da rodada, a empresa detalha o desenho. Quando um alerta pede análise, o caso chega ao analista já montado e pré-analisado, e o sistema gera com um clique o relatório de operação suspeita (SAR ou STR, nas siglas em inglês), que uma pessoa revisa antes do envio. A Marble também oferece instalação nos servidores do próprio cliente, e afirma que seus agentes de IA só acessam os dados para os quais receberam permissão.
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Quem está por trás da startup
Os fundadores cuidavam de fraude, lavagem e compliance na Shine, que a Marble descreve como fintech francesa, segundo a página institucional da empresa. Arnaud Schwartz, hoje CEO, foi diretor de operações (COO) da Shine; o outro cofundador, Pascal Delange, chefiava a tecnologia da fintech e hoje é o diretor de tecnologia (CTO) da Marble. Pelo comunicado, a plataforma já roda em produção em mais de 100 bancos e fintechs de mais de 25 países, dado declarado pela própria Marble.
“Equipes de compliance não deveriam ter de escolher entre se manter em conformidade e andar rápido”, disse Arnaud Schwartz, CEO da Marble, em tradução livre. Para o executivo, a régua regulatória segue subindo e essas equipes são cobradas a entregar mais com o mesmo número de pessoas; o papel da startup, na visão dele, é absorver essa complexidade no lugar do cliente.
O dinheiro para IA aplicada a crimes financeiros também aparece do outro lado do Atlântico. Nos EUA, a Footprint captou US$ 25 milhões para IA de compliance, numa série B liderada pela QED Investors.
A proposta desloca para a máquina a parte repetitiva da revisão e mantém com o analista a responsabilidade por cada decisão. A primeira pergunta é que nível de trilha de auditoria os supervisores europeus vão cobrar de relatórios de operação suspeita preparados por IA e apenas revisados por uma pessoa.
A segunda é comercial. Fornecedores de software de prevenção à lavagem com núcleo aberto disputam espaço com sistemas legados de grandes provedores e com uma leva nova de plataformas de IA de compliance. Vale acompanhar se instituições de médio porte, com equipes de compliance enxutas, vão preferir a instalação em servidor próprio ou o modelo em nuvem na hora de testar essas ferramentas.