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Euro digitalInternacional · Agentes de IA

BCE chama empresas da UE a testar euro digital e debater IA

Inscrições vão até 9 de novembro; em 2027, oficinas na sede do BCE discutem agentes de IA e micropagamentos, e protótipos rodam de janeiro a junho.

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Jolanta Wojcicka / Shutterstock.com

O Banco Central Europeu (BCE) abriu nesta segunda-feira (28) uma chamada para empresas e outras organizações da União Europeia desenvolverem serviços sobre o euro digital em 2027, com inscrições até 9 de novembro. Além de protótipos em ambiente de testes, o programa inclui oficinas sobre o papel da inteligência artificial em pagamentos, com agentes de IA e micropagamentos na pauta.

Como funciona a nova chamada do euro digital

Etapa O que envolve Quando
Experimentação Protótipos em ambiente de testes: recibos eletrônicos, pagamentos com vários pagadores ou recebedores, pagamentos condicionais e recursos de front-end Janeiro a junho de 2027
Exploração Oficinas presenciais sobre IA em pagamentos (agentes de IA, micropagamentos, máquina a máquina) e usos públicos do euro digital 1º e 2º trimestres de 2027
Inscrições Organizações estabelecidas na União Europeia, sem remuneração Até 9 de novembro de 2026
Seleção Lista publicada no site do BCE Janeiro de 2027

Chamada de manifestações de interesse do BCE, de 28 de setembro de 2026. Fonte: BCE

Onde entram os agentes de IA no euro digital

A inteligência artificial aparece na frente de exploração, formada por oficinas temáticas presenciais na sede do BCE, em Frankfurt. O encontro sobre IA vai discutir experiências de pagamento com IA, agentes de IA, micropagamentos e transações entre máquinas, além de funções novas dentro dos aplicativos. Uma parte dos inscritos será escolhida para apresentar; outros podem ser chamados só para assistir e opinar. O documento exclui do debate cibersegurança, prevenção a fraude, compliance e gestão de risco. A segunda oficina trata do euro digital em serviços públicos, como transporte e contas de consumo.

Na experimentação, os escolhidos recebem especificações para se conectar a um ambiente de testes dedicado e entregam provas de conceito ou protótipos, com relatório. Nesse ambiente, toda organização opera como prestador de pagamento simulado, seja qual for o seu tipo. Os temas são recibos eletrônicos integrados à transação, pagamentos com vários pagadores ou recebedores (como dividir a conta), pagamentos condicionais e recursos de front-end. O texto separa pagamento condicional, disparado quando condições combinadas se cumprem, de dinheiro programável, e afirma que o euro digital nunca seria dinheiro programável.

Segunda rodada da plataforma de inovação

A chamada abre uma nova onda da plataforma de inovação do euro digital, lançada em 2024. Na primeira, cerca de 70 participantes de mercado trabalharam com o Eurosistema em pagamentos condicionais, segundo a página da iniciativa. Desta vez o convite vai de comerciantes pequenos e grandes a prestadores de pagamento, fintechs, fabricantes de maquininhas, órgãos públicos, institutos de pesquisa e associações de consumidores. A adesão é voluntária e não há pagamento pelas atividades.

“Ao oferecer uma infraestrutura comum sobre a qual o setor privado pode construir, o euro digital será um catalisador de inovação”, afirma Piero Cipollone, membro da Diretoria Executiva do BCE, na mesma página (em tradução livre).

O programa corre em paralelo ao piloto do euro digital, que segundo o BCE deve começar no segundo semestre de 2027 e durar 12 meses, com 36 prestadores de serviços de pagamento licenciados na zona do euro, escolhidos entre mais de 50 candidatos após a chamada de março de 2026. O banco mira estar pronto para uma possível primeira emissão em 2029, supondo que o regulamento do euro digital seja adotado em 2026, e só decide emitir depois dessa aprovação.

Neste mês, o banco central também convocou lojistas para o piloto de 2027.

No setor privado, a infraestrutura para agentes que pagam sozinhos já ganha padrões próprios: a Block, dona do Cash App, levou o bitcoin a um padrão aberto de pagamento para agentes de IA.

O que observar

O primeiro sinal virá da lista de janeiro de 2027: quem o BCE escolhe para a oficina de IA. O documento aponta prestadores de pagamento, prestadores técnicos, comerciantes, organizações de consumidores, instituições acadêmicas e fintechs como público principal. Se empresas de pagamentos por agentes ganharem espaço, vale acompanhar quanto do desenho do euro digital precisaria mudar para acomodar micropagamentos entre máquinas, uma implicação que a própria chamada admite examinar.

A pergunta de fundo é como encaixar agentes que pagam por conta própria nos princípios de privacidade, confiança e controle do usuário que o BCE cobra das propostas. E o calendário segue condicionado: os protótipos de 2027 servem de insumo técnico, enquanto a emissão depende da aprovação legislativa na União Europeia.

Fontes: BCE (chamada) • BCE (plataforma de inovação) • BCE (piloto)

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