O Banco Central Europeu (BCE) está mudando o modo de planejar e executar as inspeções presenciais nos bancos que supervisiona diretamente. Pelas contas da própria autoridade, o efeito já aparece no relógio: uma investigação agora leva, em média, 29 semanas do início até o relatório final, ante 33 semanas antes.
Patrick Montagner, que integra o Conselho de Supervisão do BCE, detalhou a reforma em texto publicado em 25 de setembro de 2026 no blog de supervisão da instituição. Os documentos também encolheram: a extensão média dos relatórios de 2026 ficou por volta de 20% abaixo da registrada em 2025. O plano combina a experiência das equipes de campo, achados do controle interno e o retorno do próprio setor bancário.
O próprio Montagner admite que os números não dizem tudo: “Duração e tamanho do relatório contam apenas parte da história, é claro, mas a redução mostra que podemos simplificar o processo preservando a profundidade necessária para chegar a conclusões robustas”, afirmou (em tradução livre).
Inspeções presenciais do BCE em números
| Indicador | Dado |
|---|---|
| Tempo médio entre o início da investigação e o relatório final | de 33 para 29 semanas |
| Tamanho médio dos relatórios em 2026, frente a 2025 | cerca de 20% menor |
| Investigações presenciais lideradas diretamente pelo BCE | um quarto do total |
| Meta de divisão entre missões transfronteiriças e missões nacionais no próprio país | aproximadamente 50/50 |
Blog de supervisão do BCE, texto de Patrick Montagner. Fonte: BCE
Em 2025, o BCE abriu 163 inspeções no local em bancos classificados como significativos, além de 77 apurações voltadas a modelos internos, segundo números do Relatório Anual de Supervisão referente àquele ano reproduzidos pelo Jornal PT50. As autoridades nacionais fornecem a maior parte dos inspetores, e o BCE comanda diretamente um quarto das investigações. A meta é algo perto de 50/50 na divisão: de um lado, missões transfronteiriças, chefiadas pelo BCE ou por autoridade de outro país; do outro, missões do supervisor nacional em casa.
O que o banco inspecionado passa a esperar
Pelo desenho apresentado, a instituição precisa conhecer com precisão o escopo do trabalho antes da chegada da equipe e ter dúvidas respondidas a tempo. Também deve receber aviso rápido quando os inspetores toparem com um problema potencialmente significativo, e ter chance de contestar a avaliação.
Essa previsibilidade tem limite: o BCE ressalva que ela não alcança o conteúdo das conclusões, e observações relevantes seguem em discussão com o banco conforme surgem. Em troca, o supervisor cobra colaboração. “Podemos atender a essas expectativas se os bancos, por sua vez, derem acesso em tempo hábil a informações, sistemas e colegas que possam apoiar a investigação”, afirmou Montagner (em tradução livre).










