
O HSBC concordou em pagar 268 milhões de euros (cerca de US$ 312 milhões) para encerrar acusações de fraude fiscal apresentadas por autoridades da França. O acordo põe fim a uma investigação que apurava operações realizadas pela filial francesa do banco entre 2014 e 2019, segundo informações divulgadas pelo Wall Street Journal.
De acordo com os promotores franceses, o HSBC teria estruturado transações intragrupo com o objetivo de se beneficiar indevidamente de uma isenção fiscal, prática classificada como “fraude fiscal agravada” pela legislação local. O banco negou irregularidades intencionais, mas optou por encerrar o caso por meio de um acordo financeiro.
Ainda de acordo com à publicação, o HSBC afirmou que o acordo reconhece sua cooperação com a investigação e as medidas corretivas adotadas para lidar com problemas considerados históricos. “Continuamos focados em atender nossos clientes”, disse a instituição.
Multas, impostos atrasados e juros
Segundo o Financial Times, o pagamento inclui multas e impostos retroativos, além de valores adicionais já quitados pelo banco. O HSBC teria desembolsado previamente 35 milhões de euros em juros e outras sanções relacionadas ao caso.
Na França, esse tipo de acordo permite que empresas encerrem investigações criminais mediante o pagamento de multas e o compromisso com programas de conformidade, sem admissão formal de culpa ou condenação penal. O modelo tem sido utilizado com frequência crescente em casos envolvendo grandes instituições financeiras.
Investigação mais ampla atinge outros bancos
O caso do HSBC não é isolado. Investigadores franceses vêm analisando se outros bancos utilizaram estruturas semelhantes para reduzir o pagamento de impostos por meio de operações conhecidas como arbitragem de dividendos. Em 2025, o ministro da Economia da França afirmou que o país pode ter perdido até 4,5 bilhões de euros em receitas fiscais devido a esses esquemas.
Outro banco citado na investigação foi o Crédit Agricole, que em setembro de 2025 concordou em pagar 88,2 milhões de euros para encerrar uma apuração semelhante. Na ocasião, o banco afirmou que cooperou com as autoridades e que já havia implementado controles internos mais rígidos para evitar práticas do tipo.
Em comunicado, o Crédit Agricole destacou que a investigação não identificou políticas internas voltadas a incentivar evasão fiscal, mas reconheceu falhas nos mecanismos de controle à época dos fatos.
Pressão regulatória segue no radar
O acordo do HSBC reforça a pressão regulatória crescente sobre grandes bancos internacionais, especialmente na Europa, onde autoridades fiscais têm intensificado o escrutínio sobre estruturas tributárias complexas e operações transfronteiriças.
Mais do que o impacto financeiro imediato, casos como esse ampliam o custo reputacional e operacional para instituições globais, que passam a lidar com exigências cada vez mais rigorosas de governança, transparência e compliance fiscal. Para o setor bancário europeu, a mensagem é clara: práticas históricas toleradas no passado estão cada vez menos aceitáveis no ambiente regulatório atual.